A COVID-19, o PR e a sociedade civil

Luanda /
01 Jun 2020 / 12:27 H.
Estevão Martins

Ao convocar a sociedade civil para uma abordagem em torno do impacto da COVID-19 sobre a economia e a vida das famílias, o Presidente da República, João Lourenço, mostra que está preocupado com o evoluir da pandemia, numa altura em que os números de infectados, na capital do Pais, não param de crescer.

Os temores actuais, face à adopção do estado de calamidade pública, depois de 60 dias sob Emergência, têm que ver com a provável propagação da enfermidade em forma de contaminação comunitária, de que estamos a um passo, citando palavras recentes da própria ministra da Saúde.

Não é o que se pretende, de facto, mas o desconfinamento social, que visa relançar, gradualmente, a actividade económica e o regresso à normalidade da vida social, pode levar-nos a este caminho, sobretudo porque observa-se, a nível da população de Luanda, um aumento do índice de desobediência às regras de prevenção e contenção da COVID-19.

Trata-se do segundo encontro que o Presidente João Lourenço mantém com a sociedade civil e líderes de associações cívicas, marcando uma nova era de aberturas e governação de proximidade no País. Com o assunto COVID em cima da mesa de trabalho, augura-se que do encontro saiam propostas claras e concretas e novos caminhos para enfrentar o inimigo invisível.

A inclusão, na reunião, de empresários, académicos, líderes religiosos, juventude, formadores de consciência e de opinião, universitários, para além de jornalistas, tende a enriquecer os debates e mostra, mais uma vez, a inquietação do Executivo no que se refere aos riscos que a pandemia encerra e as graves consequências para o País, no caso de uma disseminação em massa e de forma descontrolada do vírus mortal.

O reinício do ano lectivo, previsto para o próximo mês de Julho, por exemplo, é uma questão que deve merecer uma abordagem mais realista, em função do momento actual por que passa o País. Aliás, o Simprof já manifestou a sua inquietação e alerta para o risco em que a sociedade incorre enviando as crianças para a escola em plena pandemia.