UE anuncia conjunto de debates para lançar cimeira com União Africana

O Fórum Euro-África arranca com o propósito de aproximar os dois continentes e conta com um debate virtual entre o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o seu homólogo do Gana.

03 Set 2020 / 11:49 H.

A comissária da União Europeia (UE) para as Parcerias Internacionais, Jutta Urpilainen, anunciou hoje um conjunto de debates entre responsáveis da Europa e de África antes da cimeira entre a União Europeia e a União Africana (UA).

"Vou fazer uma série de debates com responsáveis políticos e sociedade civil, principalmente jovens, dos dois continentes antes da cimeira (UE-UA, em outubro), porque precisamos de saber o que a próxima geração pensa sobre a transição 'verde' e digital", anunciou a responsável, durante a sua intervenção no Fórum Euro-África, que começou hoje.

"Fomos duramente atingidos pela pandemia da COVID-19, mas percebemos desde logo que ninguém está a salvo até todos estarmos a salvo, e por isso já disponibilizámos 36 biliões de euros desde o início da pandemia", salientou a comissária, notando que a situação actual é uma oportunidade para mudar para melhor.

"Esta pandemia é uma oportunidade para uma mudança a sério, que garanta um futuro resiliente, justo, 'verde' e sustentável", defendeu.

A Europa, concluiu, "é o continente gémeo de África, é o parceiro mais próximo em termos de investimento, segurança e comércio".

O Fórum Euro-África arranca hoje com o propósito de aproximar os dois continentes e conta com um debate virtual entre o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o seu homólogo do Gana.

O Fórum vai reunir personalidades dos sectores público e privado, sociedade civil, empresários, activistas e cientistas, que vão debater cinco desafios ao abrigo do tema "À procura de pontos comuns num mundo pós-covid".

Os cinco painéis, que incluem uma conversa entre os Presidentes de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Gana, Nana Akufo-Addo, moderados pelo editor de África do Financial Times, vão debater as "Perspectivas sobre as relações entre a União Africana e a União Europeia", a "Transição Justa da Matriz Energética", "Made In África - Negócios Emergentes e em Aceleração", "Cultura África a alimentar o Mundo", e "Ligando os Desligados".

O presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa e organizador do Fórum Euro-África, Filipe de Botton, disse à Lusa que o grande objectivo do encontro é reaproximar dois continentes que estiveram de costas voltadas até há pouco tempo.

"Vemos dois continentes gémeos que têm vivido de costas voltadas nos últimos 50 anos, e o grande objectivo do Fórum é conseguir uma reaproximação da Europa com a África, e que Portugal seja a plataforma instrumental para a relação entre os dois continentes", disse Filipe de Botton, na antecipação do Fórum, que se prolonga até sexta-feira, numa parceria com a Câmara de Cascais.

O Conselho da Diáspora Portuguesa é uma organização privada sem fins lucrativos, com 95 membros em cinco continentes e tem por missão "alavancar o poder da diáspora, de forma a promover conversas e conexões globais sobre assuntos de cultura, impacto social, ciência, negócios e economia", segundo a organização.