Tensão máxima com ocupação indígena e novos distúrbios

Milhares de indígenas ocuparam nesta quarta-feira à militarizada cidade de Quito para protestar contra os ajustes económicos que o governo acordou com o FMI e que tornaram o combustível mais caro. O tumulto no Equador já dura há uma semana.

11 Out 2019 / 16:04 H.

Manifestantes marcharam em direção ao centro da cidade, onde fica a sede presidencial desocupada, enquanto mais tarde grupos menos numerosos de estudantes e trabalhadores enfrentaram com pedras a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo. Em sete dias, os protestos já deixaram um morto, 122 feridos e 766 detidos, segundo o último boletim das autoridades e informações da Cruz Vermelha. “A indignação equatoriana contra esse pacote (do FMI) nos traz até aqui”, disse Gonzalo Espín, líder do povo indígena de Cotopaxi (centro). “Enquanto não desistirem, ficaremos aqui”, alertou.

O presidente “está governando apenas com as receitas do Fundo Monetário Internacional, das câmaras de negócios. E é isso que o povo equatoriano rejeita”, disse o líder indígena Salvador Quishpe.

Moreno não quer reverter sua política e oferece, em troca, liberar mais recursos para os povos indígenas afetados pelo aumento generalizado de preços que, em teoria, origina a alta de combustíveis.

Em entrevista à TV estatal, Moreno revelou que foi “à cidade de Quito com a finalidade de estender minha mão e dizer que já temos os primeiros bons resultados em relação ao diálogo”, indicando que viajou à capital.

Moreno transferiu a sede do governo na segunda-feira para Guayaquil, diante da iminente ocupação da cidade pelos indígenas.

“Estamos obtendo os melhores resultados do diálogo com os irmãos indígenas”, disse o presidente, que agradeceu pelo protesto que transcorre “em paz”. “Sem dúvida, vamos resolver isto muito em breve”.

O presidente abriu caminho para o diálogo com a mediação da ONU e da Igreja Católica. Os povos indígenas, entretanto, exigem como condição que o governo desista de eliminar os subsídios que levaram ao aumento do preço do diesel e da gasolina em até 123%.