ONU alerta que pandemia está a agravar desnutrição de milhões de crianças

O número de crianças que sofrem de desnutrição no mundo poderá atingir, nos próximos meses, os 54 milhões por causa da crise económica e social provocada pela actual pandemia da doença COVID-19, alertou a ONU.

Luanda /
28 Jul 2020 / 17:07 H.

Esta estimativa avançada pela organização internacional representa um aumento de sete milhões de crianças face aos números actuais.

Antes da pandemia do novo coronavírus, 47 milhões de crianças em todo o mundo já sofriam de problemas de desnutrição, perda de peso e de magreza extrema, segundo sublinhou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Com a pandemia, este número "poderá atingir os quase 54 milhões nos primeiros 12 meses da crise", o que "poderá resultar em 10.000 mortes adicionais de crianças por mês", principalmente em países da África subsariana e na Ásia, indicou a agência da ONU, num comunicado.

"Passaram sete meses desde que foram relatados os primeiros casos de COVID-19 e é cada vez mais claro que as consequências da pandemia estão a prejudicar mais as crianças do que a própria doença", afirmou a diretora-executiva da UNICEF, Henrietta Fore.

"A pobreza e a insegurança alimentar aumentaram. Os serviços essenciais e as cadeias de abastecimento de alimentos foram interrompidos. Os preços dos alimentos dispararam. O resultado é que a qualidade dos regimes alimentares das crianças diminuiu e as taxas de desnutrição vão aumentar", prosseguiu a representante.

As conclusões da UNICEF são sustentadas numa análise publicada pela revista médica "The Lancet", na qual vários investigadores alertaram para as consequências da pandemia da COVID-19 na alimentação das crianças e para as potenciais carências alimentares.