Medo, pânico e esperança, tenso cenário descrito por estudantes na China

Muito medo, algum pânico e esperança em que tudo acabe em breve é como estudantes na China definem o seu estado de espírito no meio da epidemia do coronavírus, que já provocou até esta terça-feira, 131 mortos e infectou quase cinco mil pessoas, segundo as autoridades de Pequim.

China /
29 Jan 2020 / 09:46 H.

Com as restrições em curso e férias prolongadas de Ano Novo, devido à epidemia, os estudantes procuram manter-se em casa e garantem estar a seguir as orientações das autoridades.

Em Wuhan, epicentro da epidemia, há 16 estudantes cabo-verdianos e cerca de 50 angolanos que têm recomendações para não saírem à rua.

“O meu dia-a-dia é acordar, seguir as notícias, comer, tentar distrair-me e esquecer o que acontece lá fora”, descreveu à VOA o cabo-verdiano Wagner Pereira.

Quando tem de sair para comprar alimentos ou produtos de higiéne, aquele finalista de um mestrado em Ciência de Computação “diz que tem de colocar máscaras, rezar para não se encontrar com pessoas e regressar rapidamente”, com a obrigação de “medir a temperatura no regresso ao quarto e comunicar as autoridades em caso de qualquer anomalia”.

Sem poder entrar em contacto com os demais estudantes, Pereira, que vive há quase três anos em Wuhan, conta que as autoridades têm dado indicações de como proceder e distribuído máscaras, apesar de nos últimos dias registar-se algum défice devido à enorme demanda.

“Temos estado em contacto com a embaixada de Cabo Verde”, confirmou o estudante, manifestando a preocupação que todos têm para que “isto termine rápido”.