Marcelo reeleito, Ana Gomes bate Ventura por um fio e a queda da Esquerda

O vencedor absoluto das eleições presidenciais de 2021 é Marcelo Rebelo de Sousa. Mas a extrema-direita não tirou o segundo lugar à socialista Ana Gomes por uma unha negra. As Esquerdas, por sua vez, deram a maior queda da sua história. Assim foi a noite eleitoral, em tempos de pandemia.

Angola /
25 Jan 2021 / 12:05 H.

A noite eleitoral deste domingo, dia 24 de Janeiro de 2021, foi de emoções, mas sem grandes espantos. Marcelo Rebelo de Sousa renovou o mandato à primeira volta, Ana Gomes e André Ventura disputaram até à última o segundo lugar, a Esquerda (Marisa Matias e João Ferreira) deu um trambolhão, Tiago Mayan Gonçalves foi a grande surpresa destas eleições e Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, ficou em último.

Contudo, o resumo destas Presidenciais não se faz em apenas quatro linhas. Os portugueses decidiram renovar a confiança em Marcelo Rebelo de Sousa com 60,70% dos votos.

Aliás, deram-lhe mais cerca de oito pontos percentuais do que quando o ‘professor’ foi eleito Presidente da República pela primeira vez, em 2016, com 52%, e ao contrário do que aconteceu com os seus antecessores Cavaco Silva e Jorge Sampaio. Mais, o ex-líder do PSD conquistou a victória nos 308 conselhos de Portugal, o que aconteceu pela primeira vez na história de Portugal.

Já Ana Gomes e André Ventura disputaram o segundo lugar até à última e durante horas. Foi preciso esperar pelo final do apuramento, pelos resultados dos grandes centros urbanos, em Lisboa, Porto e Setúbal, para desfazer as dúvidas.

Já passavam das 22h30, quando se soube que Ana Gomes tinha ficado em segundo lugar por uma unha negra, que é como quem diz, por apenas um ponto percentual (12,93% contra 11,90%).

Apesar da luta renhida, a antiga eurodeputada fez história, tornando-se na mulher mais votada de sempre em Portugal e a primeira a conseguir um segundo lugar numa eleição presidencial.

Por sua vez, André Ventura, que tinha afirmado que se demitia da liderança do Chega, caso ficasse atrás da diplomata socialista, cumpriu a promessa. Mas, poucos minutos depois, anunciou a sua recandidatura ao cargo de presidente do partido que criou. Os grandes trambolhões da noite chegaram em 4.º e 5.º lugares, com João Ferreira, apoiado pelo PCP, a não ultrapassar os 4,32% dos votos e Marisa Matias, apoiada pelo Bloco de Esquerda, a conseguir apenas 3,95%.

Tiago Mayan Gonçalves foi, como já muitos disseram, o grande imprevisto deste sufrágio. O ‘desconhecido’ candidato apoiado pela Iniciativa Liberal conseguiu conquistar 3,22% dos portugueses que se dirigiram às urnas este domingo.

Em sétimo e último lugar ficou Victorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, com apenas 2,94% dos votos, menos quase um ponto percentual do que em 2016, quando se candidatou, pela primeira vez, a Belém.

Quem não faltou a estas eleições foi também a abstenção. Dos 9,3 milhões de eleitores inscritos em território nacional, apenas 4,2 milhões exerceram o seu direito. Portugal atingiu assim um novo máximo de abstenção para a escolha do Chefe de Estado.