Jovem tem sintomas seis meses após infecção

Charlie Russell é um jovem de 27 anos que ficou infectado com o novo coronavírus. Seis meses ainda tem sintomas debilitantes, causando alguma preocupação entre especialistas, que alertam para “uma minoria significativa” de doentes mais jovens que ficam com sequelas sérias.

Luanda /
16 Set 2020 / 09:46 H.

No domingo, data de publicação da sua história no britânico Guardian, fez 182 dias desde que Charlie foi infectado e o jovem ainda tem os sintomas que sentiu logo na primeira quinzena da doença. Tem ainda dores no peito, enxaquecas fortes, falta de ar, tonturas e sensação de cansaço - um longo leque de sintomas a longo-prazo que centenas de pessoas infectadas têm.

Charlie corria 5 quilómetros três vezes por semana, algo que agora não consegue. Também não pode sair de casa para estar com os amigos, nem ir trabalhar. “Se eu soubesse que ia ficar assim doente, tinha levado as coisas mais a sério em Março”, confessou. “Mas na altura o que ouvíamos era que se fôssemos jovens e se ficássemos infectados, provavelmente nem teríamos sintomas. Ou ficávamos doentes só umas semanas e pronto”.

Os novos casos de contágio estão a subir a grande velocidade nas pessoas mais jovens, em quase todos os países da Europa. Embora haja um risco muito menor de morte para doentes abaixo dos 40 anos, jovens com menos de 30 anos, como Charlie, estão a ficar infectados em muito maior número (no Reino Unido 28% das novas infecções estão na faixa etária entre 20 a 29 anos de idade).

Segundo indica o Guardian, poucos necessitarão de tratamento hospitalar, mas especialistas médicos temem que uma minoria significativa fique com sequelas debilitantes que os cientistas ainda não compreendem na totalidade. “Damos este ênfase terrível, neste momento, à ideia de que os jovens ficam bem e que a única razão pela qual não devem sair é pelos seus avós”, disse à publicação Charles Shepherd, conselheiro médico de uma associação que apoia pessoas com encefalomielite miálgica (síndrome de fatiga crónica) e que está agora a receber pacientes jovens da COVID-19.

“Há um risco se os jovens apanharem a doença, podem não acabar no hospital, mas podem acabar com uma doença que os deixa exaustos, com síndrome pós-COVID. Não vai acontecer à maioria, mas há um risco real para uma minoria significativa”, acrescentou.

Um especialista do King’s College London indicou ao Guardian que cerca de 600 mil pessoas ficaram com alguma espécie de doença pós-COVID e que cerca de 12% reportam sintomas durante mais de um mês. Um em cada 200 doentes tem sintomas durante mais de 90 dias.