Irão ameaça afastar-se do controlo nuclear

Teerão adverte que reconsiderará os compromissos que mantém com a Agência Internacional de Energia Atómica sem os países da União avançarem com sanções económicas.

02 Dez 2019 / 10:51 H.

O Irão fez saber que pode “reconsiderar seriamente” os seus compromissos com os organismos de controlo da atividade em torno da energia atómica da ONU se os países europeus avançarem com sanções sobre o país.

O porta-voz do parlamento iraniano, Ali Larijani, disse numa entrevista em Teerão que “se eles usarem o mecanismo [e impuserem sanções], o Irão será forçado a reconsiderar seriamente alguns dos seus compromissos com a Agência Internacional de Energia Atómica. Se eles acham que isso lhes traz mais benefícios, podem ir em frente”.

A ameaça de desencadear sanções ocorreu depois de o governo iraniano ter tomado uma série de medidas que afastam o país do acordo nuclear de 2015 – nomeadamente o aumento do enriquecimento de urânio – que, segundo Teerão, surgiu como resposta à incapacidade de a Europa impulsionar o comércio com o país.

Em causa está a saída dos Estados Unidos do perímetro do acordo nuclear e a imposição de sanções sobre a economia do Irão – que evoluiu até ao embargo sobre a compra de petróleo iraniano. Na altura, os países europeus – entre eles os que também assinaram o acordo, França, Alemanha e Reino Unido – não apoiaram a decisão da Casa Branca e comprometeram-se não apenas em manter o espírito do acordo, como em aumentar o intercâmbio comercial para contrabalançar as sanções norte-americanas.

Mas isso revelou-se muito difícil, dado que as multinacionais que tinham intercâmbio com o Irão e têm interesses nos Estados Unidos não podem, perante a necessidade de escolherem entre um ou outro, optar por manterem interesses no país asiático. Nesse quadro, várias multinacionais europeias acabaram por deixar o Irão, apesar de não haver qualquer embargo da parte dos europeus.

Um mecanismo conhecido como Instex, desenvolvido pela Europa para evitar sanções, recebeu um impulso este fim-de-semana, quando mais seis países da União a ele aderiram. O Instex é um sistema de troca projetado para evitar o alcance das sanções impostas pelos Estados Unidos, mas o Irão considera que nem mesmo este impulso tem sido suficiente. Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Holanda, Noruega e Suécia são os países que avançaram.