Guterres: “É preciso reduzir os impostos às pessoas, nomeadamente nos salários”

António Guterres defende que os governos de todo o mundo devem acelerar medidas para combater as alterações climáticas. O secretário-geral das Nações Unidas considera que as medidas tomadas junto dos sectores mais poluentes devem beneficiar os cidadãos. “É preciso acabar com subsídios aos combustíveis fosseis, é preciso reduzir os impostos às pessoas, nomeadamente nos salários.

Paris /
18 Jul 2019 / 09:15 H.

António Guterres defende que os governos de todo o mundo devem acelerar medidas para combater as alterações climáticas. O secretário-geral das Nações Unidas considera que as medidas tomadas junto dos sectores mais poluentes devem beneficiar os cidadãos.

“É preciso acabar com subsídios aos combustíveis fosseis, é preciso reduzir os impostos às pessoas, nomeadamente nos salários, e taxar o carbono”, disse António Guterres à RTP.

O antigo primeiro-ministro também defendeu que é “preciso acabar com a construção de centrais a carvão, que infelizmente continuam a popular no mundo a partir de 2020. E é preciso tomar um conjunto de outras medidas que exigem vontade política”.

As declarações à RTP tiveram lugar durante uma vista ao Quénia e a Moçambique.

Sobre o Acordo de Paris, em que 195 países comprometeram-se a tomar medidas para mitigar as alterações climáticas, o secretário-geral aponta que é preciso fazer mais.

“Se forem cumpridas [as metas], chegaremos ao fim do século com mais três graus [centígrados], o que é uma catástrofe absoluta. Pior ainda, mesmo aquilo que foi prometido por muitos estados não está a ser cumprido, há aqui uma situação paradoxal”, destacou.

António Guterres revelou o seu pessimismo sobre a situação actual e criticou a falta de vontade política para actuar neste campo.

“Tudo indica que as coisas estão piores do que se pensava, todas as realidades a que assistimos no mundo, são piores do que as piores previsões que existiam, mas a vontade política esmoreceu depois de Paris. Infelizmente, as mudanças de clima estão a decorrer mais depressa do nós próprios”, sublinhou o secretário-geral.