Guerra em Tigray provoca crise humantária na região

Uma “crise humanitária em grande escala” está a acontecer na fronteira entre o Sudão e a Etiópia, de onde milhares de pessoas fogem diariamente devido à operação militar em curso em Tigray, disseram recentemente as Nações Unidas.

Luanda /
18 Nov 2020 / 10:36 H.

Segundo um porta-voz do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, quatro mil pessoas atravessam diariamente a fronteira para o Sudão desde 10 de Novembro, totalizando cerca de 27 mil refugiados.

O Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed, alertou para uma ofensiva "final” contra a região rebelde do Norte de Tigray nos próximos dias, depois de ultrapassado o ultimato que deu na semana passada às forças da região para se renderem.

"O prazo de três dias estabelecido para as forças especiais e milícias do Tigray se defenderem a si próprias e ao seu povo em vez de levarem a cabo as intenções da junta gananciosa terminou hoje”, disse Abiy, referindo-se à Frente de Libertação do Tigray (TPLF), o partido que Governa esta região, que faz fronteira com a Eritreia e o Sudão.

E acrescentou, numa mensagem publicada na rede social Facebook: "Uma vez passado o prazo, a acção executiva final terá lugar nos próximos dias”.

Abiy Ahmed, vencedor do Prémio Nobel da Paz de 2019, continua a rejeitar os apelos internacionais ao diálogo e à cessação das hostilidades que começaram no dia 4, quando ordenou uma ofensiva militar contra a TPLF, em retaliação a um ataque das forças de Tigray a uma base do Exército etíope na região.

Países africanos como o Quénia, que partilha uma fronteira com o Sul da Etiópia, e o Uganda apelaram a uma solução negociada para o conflito, mas o Executivo de Addis Abeba rejeita esta linha de acção, considerando que a TPLF violou a ordem constitucional do país.