Ucrânia e crise alimentar e energética no topo da agenda da cimeira do G7

O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse que o G7 deixará claro nesta cimeira que a Ucrânia pode contar com o apoio de que necessita "durante o tempo que for necessário" e que o grupo quer "garantir que os cálculos do Presidente russo (Vladimir Putin) não resultem”.

24 Jun 2022 / 11:52 H.

Os líderes dos sete países mais desenvolvidos (G7) discutirão o apoio à Ucrânia, as alterações climáticas e as crises alimentar e energética, agravadas pela agressão militar russa em território ucraniano, numa cimeira que começa domingo na Alemanha.

Os chefes de Estado e de Governo dos Estados Unidos, Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido e Alemanha, que tem a presidência rotativa este ano do G7, vão ocupar-se destes temas e de como prosseguir nas sanções à Rússia durante o encontro de três dias, até terça-feira, no castelo e complexo hoteleiro de Elmau, nos Alpes Bávaros, como adiantou uma fonte alemã esta segunda-feira.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse que o G7 deixará claro nesta cimeira que a Ucrânia pode contar com o apoio de que necessita "durante o tempo que for necessário" e que o grupo quer "garantir que os cálculos do Presidente russo (Vladimir Putin) não resultem".

Numa entrevista à agência noticiosa alemã DPA publicada no sábado passado, Scholz disse que quer usar o encontro para discutir as perspectivas de longo prazo da Ucrânia, que foi convidada e aceitou participar na reunião.

Não foi ainda esclarecido se o Presidente ucraniano vai participar presencialmente ou por videoconferência na cimeira do G7.

Se estiver presente em Elmau, esta será a primeira vez que Volodymyr Zelensky sai do território ucraniano desde o início da invasão russa, no final de fevereiro.

Scholz pretende também promover em Elmau o chamado "climate club", e por isso além das potências do G7 convidou os líderes da Argentina, Índia, Indonésia, África do Sul e Senegal para participarem no encontro.

"São economias cada vez mais relevantes em questões como matérias-primas e energia, sem as quais não resolveremos nenhum dos grandes problemas globais, como a luta contra a crise climática", disse o chanceler alemão.

Numa medida para colmatar o conflito recorrente entre nações ricas e pobres nas conversações internacionais sobre o clima, o G7 reconheceu pela primeira vez, numa reunião no final de maio, a necessidade de conceder aos países em desenvolvimento ajuda financeira adicional para fazerem face às perdas e aos danos causados pelo aquecimento global.

Os Estados do G7, num comunicado após uma reunião dos ministros do Clima e da Energia, também traçaram metas graduais para acabar com o uso do carvão para produzir electricidade e o financiamento de projectos de combustíveis fósseis sem técnicas de captura de carbono, graças a uma reviravolta do Japão, o último país do grupo que se recusava a comprometer-se.

Os acordos, amplamente saudados pelos activistas do clima, serão apresentados aos líderes nesta cimeira e o reconhecimento da necessária ajuda aos países pobres surge quando estes enfrentam uma situação agravada pela falta de cereais e outros alimentos devido à guerra na Ucrânia.