Estados Unidos e China em desacordo na ONU sobre Coreia do Norte

Devemos fortalecer o regime de sanções e não estar interessados em flexibilizar as sanções”, disse a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield

Luanda /
12 Mai 2022 / 10:51 H.

Os Estados Unidos e a China entraram hoje em desacordo no Conselho de Segurança da ONU sobre as tensões na península coreana, com Washington a defender mais sanções internacionais contra a Coreia do Norte e Pequim a pressionar por alívio.

“Devemos fortalecer o regime de sanções e não estar interessados em flexibilizar as sanções”, disse a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, que convocou o Conselho de Segurança para debater o assunto e está a pressionar o órgão de 15 membros para fortalecer as sanções contra a Coreia do Norte.

Já a China e a Rússia pretendiam aliviar, para fins humanitários, as pesadas sanções económicas internacionais impostas em 2017 à Coreia do Norte, afectando as suas exportações de carvão, ferro, têxteis ou produtos pesqueiros e as suas importações de petróleo.

“Estamos a chegar ao fim das negociações” sobre o projecto de texto norte-americano “e não podemos esperar por um teste nuclear” para “falar a uma só voz, devemos agir hoje”, insistiu Linda Thomas-Greenfield, apoiada nesse sentido pelo Japão.

Washington considera que está iminente um teste nuclear na Coreia do Norte.

Por sua vez, o embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, disse que “a possibilidade de uma escalada é preocupante” e pediu “a todas as partes que exerçam moderação e mantenham o diálogo”.

Questionado após a reunião sobre o risco de outro teste nuclear norte-coreano, o diplomata da China respondeu: “É claro que ninguém gosta de testes nucleares” e “o que a China quer evitar é um novo teste nuclear”.

“É por isso que não queremos sanções adicionais que possam forçar qualquer um dos lados a tomar acções mais proactivas. Falar é melhor do que uma acção coerciva. Já vimos tantas medidas coercivas em todo o mundo, na Síria, no Iraque e no Afeganistão. Viram bons resultados? O que vimos é apenas sofrimento humanitário”, disse Zhang Jun.