Casa Branca recusa participar em audição relativa à destituição de Donald Trump

A 26 de Novembro, a comissão judicial da Câmara dos Representantes convidou Trump ou os advogados para a audição na próxima quarta-feira, numa nova fase do inquérito com vista à destituição do presidente norte-americano.

02 Dez 2019 / 11:56 H.

Casa Branca anunciou que não vai participar na primeira audição do processo de destituição do Presidente norte-americano Donald Trump, na comissão judicial da Câmara dos Representantes, na quarta-feira. A recusa foi transmitida, no domingo, à comissão através de uma carta do advogado da Casa Branca.

“Não se pode legitimamente esperar que participemos numa audição quando os nomes das testemunhas não foram divulgados, ao mesmo tempo que se mantém a dúvida de que a comissão judicial possa garantir ao presidente um processo justo”, escreveu Pat Cipollone, numa carta dirigida ao presidente da comissão, Jerry Nadler.

Na quarta-feira, Donald Trump deverá participar numa cimeira da NATO, nos arredores de Londres.

Em 26 de novembro, a comissão judicial da Câmara dos Representantes convidou Trump ou os advogados para a audição na próxima quarta-feira, numa nova fase do inquérito com vista à destituição do Presidente norte-americano.

“Espero que o senhor ou os seus advogados aceitem participar nesta audição”, escreveu-lhe o congressista democrata Jerry Nadler, que preside a esta comissão encarregada de redigir o libelo acusatório de Trump.

A audição incide sobre a questão da eventual ocorrência de “alta traição e delitos graves”, considerados na Constituição.

A sessão vai contar com a presença de peritos que vão analisar a base constitucional para a eventual destituição do Presidente.

A audição na comissão judicial vai ocorrer em simultâneo com a apresentação, pela comissão das Informações, do relatório com as provas das relações de Trump com a Ucrânia.

Esta comissão da Câmara dos Representantes realizou ao longo de duas semanas audições centradas nos pedidos de Trump ao homólogo ucraniano para que mandasse investigar o antigo vice-presidente Joe Biden e o filho, enquanto fazia depender a prestação de ajuda militar a este país da realização desta investigação.

A comissão deu o prazo de até 1 de Dezembro para Trump responder.

O multimilionário septuagenário, de 73 anos, está sob investigação do Congresso num inquérito para a destituição, por alegado abuso de poder no exercício do cargo.

Trump é suspeito de ter pressionado o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, a investigar uma empresa ucraniana da qual foi administrador o filho do ex-vice-presidente Joe Biden, seu eventual rival político nas eleições de 2020, em troca de uma ajuda militar dos EUA.

O 45.º Presidente norte-americano, em funções desde 20 de Janeiro de 2017, qualificou a investigação de “caça às bruxas”.

As audições públicas do inquérito começaram em 13 de Novembro.

Se as conclusões do inquérito forem aprovadas por maioria simples na Câmara dos Representantes, o processo segue para o Senado, sendo então necessária uma maioria de dois terços para a destituição do Presidente.

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