Brexit. Boris Johnson estabelece prazo de 48 horas para alcançar acordo com Bruxelas

É o vai ou racha. Durante o fim de semana, as equipas negociadoras do processo de saída do Reino Unido do bloco europeu irão tentar chegar a um acordo.

12 Out 2019 / 11:49 H.

Boris Johnson prepara-se para avançar com um período de 48 horas de negociações que vão determinar o destino do Brexit.

De acordo com o The Guardian, fontes governamentais da União Europeia sugeriram que o backstop irlandês – fronteira aduaneira na ilha da Irlanda – vai deixar de ser uma condicionante no acordo do Brexit, uma reviravolta na posição de Boris Johnson.

Esta mudança de posições aconteceu momentos depois de os embaixadores europeus avançarem com uma nova fase de conversações ao que chamaram de “discussão de túnel”. Um termo criado pela União Europeia para as duras negociações do Brexit que se avizinham e que estarão fortemente isoladas do escrutínio da imprensa.

As negociações envolvem apenas negociadores seniores, sem documentos, conferências de imprensa ou qualquer outra coisa que possa ser usada para atrapalhar o processo.

O Partido Sindicalista Democrático e o European Research Group (ERG), um grupo de conservadores de direita, mais tarde emitiram declarações promissoras de flexibilidade, mantendo viva a esperança de que Johnson consiga encontrar apoio para uma nova oferta na Câmara dos Comuns.

Boris Johnson enfrenta assim uma última longa (e difícil) fase de negociações, depois de as reuniões com Angela Merkel e Emmanuel Macron não terem sido promissoras. “O Reino Unido aceitou que não haverá um acordo que envolva uma fronteira na ilha da Irlanda. Isso é uma grande mudança nas condições que diziam”, revelou uma fonte anónima da UE ao jornal britânico. “Agora, a chave é mostrar qual será a sua nova posição este fim de semana”.

Esta sexta-feira, Johnson recusou-se em negar que a Irlanda do Norte ainda poderia permanecer no território alfandegário da UE depois do Brexit. Em declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro britânico afirmou: “Acho que seria errado da minha parte fazer comentários sobre as negociações”, afirmou. “Com o maior respeito possível, ouçam tudo o que eu disse até agora. Acho que podem tirar as vossas próprias conclusões apartir daí. Mas deixem os nossos negociadores continuarem”, continuou.