Botín corta salário e suspende dividendo para enfrentar o “desafio mais importante nas nossas vidas”

O banco decidiu que este ano não paga o dividendo. A remuneração aos accionistas será paga de uma só vez em 2021 e decidida na assembleia geral desse ano.

24 Mar 2020 / 17:12 H.

A presidente do Santander, Ana Botín, e o CEO, José António Álvarez, decidiram aplicar um corte de 50% da sua remuneração total.

O Santander anunciou no final do dia de ontem que os executivos de topo do banco serão alvo de um corte dos salários para financiar um novo fundo criado para ajudar na luta contra o coronavírus.

O banco espanhol, segundo a agência Dow Jones, anunciou ainda uma série de medidas para ganhar flexibilidade durante a pandemia, sendo que entre elas está a suspensão do pagamento de dividendos este ano. O fundo deverá ter um valor de pelo menos 25 milhões de euros e vai fornecer materiais e equipamentos essenciais, disse o banco espanhol.

A presidente do Santander, Ana Botín, e o CEO, José António Álvarez, decidiram aplicar um corte de 50% da sua remuneração total, incluindo salários e prémios, em 2020. Os administradores não executivos vão ser alvo de um corte de 20%.

Para não comprometer recursos que sejam necessários para apoiar no combate ao coronavírus “e apoiar as empresas e famílias que necessite”, o banco decidiu que este ano não paga o dividendo. A remuneração aos accionistas será paga de uma só vez em 2021 e decidida na assembleia geral desse ano. Estava previsto o Santander pagar um dividendo em novembro.

O Santander disse que continua a atingir os requisitos de capital para manter a política de dividendo atua de entregar aos accionistas entre 40% a 50% dos lucros.

“A política de pagamento de bónus vai ser revista para assegurar que temos o máximo de recursos disponíveis para ajudar os nossos clientes”, disse o banco em comunicado.

Ana Botín, no mesmo comunicado, explica os motivos da decisão adoptada:

“Para muitos de nós, a pandemia do coronavírus é o desafio mais importante que enfrentamos nas nossas vidas. A magnitude da tarefa que temos pela frente exige um enorme esforço colectivo, em que os governos, os bancos centrais e outras autoridades, o sector privado, as organizações de apoio social e as pessoas têm de trabalhar em conjunto para limitar a propagação e proporcionar atenção aos afectados, seja directa ou indirectamente. Temos meses complicados pela frente, mas confio na nossa capacidade como sociedade para superar e o banco estará à sua altura”.