Liderança de Xi Jinping marcada por rivalidade entre China e EUA

A China oferece um “novo tipo de sistema partidário” e vai “promover uma nova forma de relações internacionais”, avançou o líder chinês, que deve assumir um terceiro mandato este mês.

Luanda /
11 Out 2022 / 09:29 H.

A competição ideológica entre China e Estados Unidos intensificou-se durante a presidência de Xi Jinping, à medida que o líder chinês passou a propor abertamente o modelo autoritário de Pequim como alternativa à ordem liberal.

Esta nova postura de Pequim foi alimentada pela necessidade de moldar uma ordem internacional mais alinhada com os seus interesses.

“A actual ordem internacional está enraizada em normas intrinsecamente antagónicas aos princípios organizadores nos quais o sistema do Partido Comunista Chinês (PCC) se baseia e, portanto, é vista como uma ameaça permanente à legitimidade do regime”, resumiu Nadège Rolland, analista de questões de segurança, num relatório entregue ao Congresso dos EUA.

Sob a governação de Xi, o PCC, que afirmou sempre que a China nunca copiaria sistemas políticos de outros países, em particular a democracia de estilo Ocidental, passou a defender que o seu sistema de partido único é uma solução viável para as nações em desenvolvimento.

A China oferece um “novo tipo de sistema partidário” e vai “promover uma nova forma de relações internacionais”, avançou o líder chinês, que deve assumir um terceiro mandato este mês.

Num discurso recente, proferido numa reunião do Politburo do PCC, Xi apontou que os países ocidentais enfrentam divisões políticas profundas, uma quebra de confiança no sistema de governação, desordem social e surtos descontrolados da COVID-19.

O líder chinês pediu às autoridades do país que “participem activamente nas discussões sobre Direitos Humanos da ONU” e “aumentem a influência” da China nas instituições multilaterais.

Nos últimos anos, Pequim avançou também com fóruns e organizações multilaterais próprias, no âmbito da Iniciativa “Faixa e Rota”.

O projecto internacional de infra-estruturas prevê a construção de portos, linhas ferroviárias ou auto-estradas, ligando o leste da Ásia à Europa, Médio Oriente e África. O maior entrosamento entre Pequim e os países envolvidos abarca ainda o ciberespaço, meios académicos, imprensa, regras de comércio ou acordos financeiros, visando elevar o papel da moeda chinesa, o RMB, nas trocas comerciais. Observadores consideram que o objectivo da China é redesenhar o mapa da economia mundial e moldar uma nova ordem internacional.