Apple reconhece a Crimeia como parte da Rússia, cinco anos após ser invadida

O parlamento russo afirmou que tinha conseguido “convencer” a Apple a “atualizar” as suas aplicações para corresponder ao que Moscovo considera ser um facto, que a Crimeia fará parte da Rússia.

28 Nov 2019 / 15:57 H.

Depois de vários meses de pressão por parte da Rússia, a Apple actualizou as suas aplicações de localização, incluindo o Maps, para reconhecer o território previamente ucraniano, Crimeia, como parte da Rússia.

Em 2014 a Rússia iniciou uma ofensiva militar contra a península ucraniana, que se expandiu até Donetsk, e desde então tem tentado que todas as empresas tecnológicas reconheçam os territórios como parte da Rússia, segundo o The Guardian.

O parlamento russo afirmou que tinha conseguido “convencer” a Apple a “actualizar” as suas aplicações para corresponder ao que consideram ser um facto, que a Crimeia faz parte da Rússia.

Por outro lado, o ministro dos negócios estrangeiros da Ucrânia afirmou através do Twitter que está desiludido com a medida, fazendo ainda uma comparação para expressar o seu descontentamento com a situação “imaginem que o vosso maior rival vos rouba as ideias, design, anos de trabalho e uma parte do vosso coração, e vocês queixam-se à autoridade reguladora, que por sua vez não quer saber e ignora por completo. É o que sentimos quando dizem que a Crimeia é russa”.

Um relatório a que a BBC teve acesso, informa que o governo russo já andava a negociar estas atualizações com a Apple há vários meses. E a empresa fundada por Steve Jobs não foi a única, ao que tudo indica a Google e a Microsoft, estão também a ser visadas pelo Kremlin para mostrar a Crimeia como parte do território russo.

A Rússia afirma que a anexação da Crimeia só aconteceu depois da população residente ter votado favoravelmente para que o território fosse considerado russo. Apesar das afirmações russas, é um facto que antes da dita votação acontecer, a Rússia já tinha começado a investida militar em território ucraniano, algo que segundo o governo ucraniano foi fundamental para pressionar a intenção de voto da população.