São Tomé & Príncipe: Parlamento investiga ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada

Terá Patrice Trovoada estado envolvido no golpe de Estado de 2003? Na Comissão Parlamentar de Inquérito, ex-Presidente são-tomense Fradique de Menezes não confirma nem desmente. Trovoada não compareceu.

14 Jun 2019 / 13:07 H.

Fradique de Menezes, antigo Presidente da República, depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o alegado envolvimento do ex-primeiro ministro são-tomense Patrice Trovoda no golpe de Estado de 2003.

No seu depoimento na CPI, Fradique de Menezes disse que não pode “confirmar nem tão pouco negar” as alegacões contra Patrice Trovoada. Mas sublinhou: “todos têm que reconhecer que aquele golpe foi direcionado contra mim”.

Menezes referiu que, durante os dois mandatos como Presidente entre 2001 e 2011, foi uma figura incómoda no xadrez político, devido às suas posições e pelo facto de ter demitido o Governo de Gabriel Costa. Por isso, o ex-chefe de Estado defende a investigação em curso.

“Esse trabalho que a Assembleia está a fazer agora deveria ter sido feito pela Procuradoria-Geral da República”, afirmou.

Acusações contra Patrice Trovoada

Em 2017, Plácido ‘Peter’ Lopes, ex-operacional do extinto batalhão Búfalo, que combateu ao lado do regime de segregação racial na África do Sul, acusou o antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada de financiar o golpe de Estado de 2003 para matar não só os ex-Presidentes Manuel Pinto da Costa e Fradique de Menezes, como também Óscar de Sousa, tenente-coronel na reserva.

As declarações levaram à abertura de um inquérito, 16 anos depois do sucedido, para apurar a veracidade dos factos.

Ouvido pela comissão parlamentar, Óscar de Sousa, actual ministro da Defesa e Ordem Interna, associou Patrice Trovoada ao golpe de 2003.

Dizer que o antigo primeiro-ministro são-tomense Patrice Trovoada, alvo do inquérito, não compareceu na CPI, e também não apresentou justificação. Trovoada já tinha sido convocado uma primeira vez, a 3 de maio. Com um mandato de 60 dias para concluir as investigações, o Parlamento promete accionar outros mecanismos para ouvir Patrice Trovoada, caso ele não compareça na terceira convocatória.