Massacre étnico faz 200 mortos na Etiópia

Diversas testemunhas na Etiópia disseram que mais de 200 amhara, grupo étnico local, foram mortos, sábado, num ataque na região etíope de Oromia

21 Jun 2022 / 13:45 H.

Mais de 200 pessoas morreram na Etiópia, na semana finda, na sequência de um ataque atribuído ao Exército de Libertação Oromo (OLA).

Através de uma declaração, o Governo regional de Oromia também acusou o OLÁ, ao indicar que os rebeldes atacaram “após serem incapazes de resistir às operações das forças de segurança federais”.

Por sua vez, um porta-voz do OLA, Odaa Tarbii, negou as alegações. “O ataque a que se referem foi cometido pelo regime militar e milícias locais quando se retiravam do seu campo em Gimbi na sequência da nossa recente ofensiva”, disse numa mensagem enviada à AP.

Em caso de confirmação, trata-se de um dos mais mortíferos ataques nos tempos mais recentes, numa altura em que se agravam as tensões étnicas no segundo país mais populoso de África.

“Contei 230 corpos. Receio que seja o mais mortífero ataque contra civis a que assistimos até agora”, disse à Associated Press (AP) Abdul-Seid Tahir, um habitante da região de Gimbi, após ter escapado do massacre no sábado.

A Etiópia tem registado um aumento das tensões étnicas em diversas regiões, na maioria motivadas por injustiças históricas ou conflitos políticos. O povo Am-hara, o segundo maior grupo étnico entre os mais de 110 milhões de habitantes da Etiópia, tem sido alvo de frequentes ataques em regiões como Oromia. A Comissão etíope de direitos humanos, designada pelo Governo central, apelou ao Executivo de Abiy Ahmed para encontrar uma “solução duradoura” para evitar a morte de civis e protegê-los dos ataques.