Líderes da SADC reunidos em Dar es Salaan

Zrrancou em Dar es Salaan, Tanzânia, a 39.ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da SADC, em que Angola está representada pelo Presidente da República, João Lourenço. O presidente em exercício da SADC, o Chefe de Estado da Namíbia, Hage Geingob, declarou que uma das realizações mais assinaláveis dos 27 anos de existência da entidade foi a consolidação da democracia nos Estados-membros.

17 Ago 2019 / 11:15 H.

Com a presença de 16 Chefes de Estado e de Governo, que integram os países da organização regional, a Cimeira vai discutir até amanha, domingo (18), questões de interesse político, económico e social, com destaque para a implementação da estratégia e roteiro para a industrialização da região no período 2015-2063., refere a Angop.

A estratégia de industrialização da SADC, adoptada em Abril de 2015, visa alcançar uma economia mais avançada e a transformação tecnológica a nível nacional e regional, que permita acelerar o crescimento através do desenvolvimento industrial.

A SADC enfrenta vários desafios, com destaque para a integração económica num espaço regional de mais de 200 milhões de habitantes.

Durante a Cimeira, devem ser aprovados três programas de suporte à implementação do lema do encontro, nomeadamente o Apoio para a Melhoria do Ambiente de Investimento e de Negócios (SIBE), Apoio à Industrialização e aos Sectores Produtivos (SIPS) e o Programa de Facilitação do Comércio.

A Tanzânia vai assumir a presidência rotativa da organização regional por um período de um ano, pelo que o Presidente tanzaniano, John Magufuli (ocupa actualmente a vice-presidência da SADC) ascenderá a liderança, em substituição do seu homólogo da Namíbia, Hage Geingob.

O Chefe de Estado angolano, João Lourenço, faz-se acompanhar nesta Cimeira pelos ministros das Relações Exteriores, Manuel Augusto, Finanças, Archer Mangueira, e da Economia e Planeamento, Manuel Neto da Costa, respectivamente.

“Devemos orgulhar-nos da nossa organização, SADC, porque estamos constantemente a progredir no sentido da integração regional e desenvolvimento sustentável, com o objectivo de eliminar a pobreza e garantir melhores condições para os cidadãos da SADC”, escreveu.

Observou que esses feitos estão a ser concretizados através da harmonização de políticas e estratégias destinada a colocar, na prática, o desenvolvimento sustentável centrado na pessoa humana.

Segundo o presidente em exercício, a SADC transformou-se numa organização regional importante e eficaz, contribuindo de forma positiva e significativa para o desenvolvimento e integração económica da região, assegurando, ao mesmo tempo, a paz e a segurança.

Integração económica

Declarou, por outro lado, que a SADC está determinada em alcançar a industrialização regional, através da execução efectiva das estratégias emblemáticas, entre as quais o Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional, o Plano Director Regional de Desenvolvimento de Infra-estruturas e a Estratégia e Roteiro para a sua Industrialização.

Ao referir-se à Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), lançada a 7 de Julho de 2019, em Niamey, Níger, disse ser um projecto emblemático da Agenda 2063, por meio da qual bens e serviços circularão livremente entre os Estados-Membros da União Africana (UA), com o intuito de impulsionar as trocas comerciais intra-africanas.

Enfatizou que, com a adopção deste mecanismo, sustentado por outros acordos regionais de comércio livre, a Região da SADC perspectiva agregar imensos benefícios que concorrerão para o seu crescimento e desenvolvimento económicos.

Noutro domínio, o presidente em exercício disse ser essencial reconhecer o papel que as mulheres continuam a desempenhar na prossecução dos objectivos da SADC e da agenda de integração regional.

Afirmou que a representação das mulheres na região registou melhorias, assegurando que a igualdade de género, através da proporção de 50/50, é alcançada em todos os Estados-Membros da SADC.

Quanto às calamidades naturais, lembrou que, embora os estados membros redobrem os esforços para garantir o desenvolvimento, são confrontados por calamidades naturais causadas por condições climáticas imprevisíveis, como ciclones e secas severas.

Em relação aos ciclones, recordou que três dos Estados-Membros, nomeadamente Malawi, Moçambique e Zimbabwe, ficaram gravemente afectados e devastados, em Abril último, pelo Ciclone Tropical Idai que fez vários mortos e danos materiais graves.

A SADC, sucessora da SADCC, foi constituída em 1992, para promover a cooperação e integração socioeconómicas, e intensificar a cooperação nas áreas política e de segurança entre os Estados.

Criada a 17 de Agosto de 1992, em Windhoek, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral tem por objectivo promover o crescimento e desenvolvimento económico e sustentável, aliviar a pobreza, aumentar a qualidade de vida dos povos da região e prover auxílio aos mais desfavorecidos.

Integram a organização 16 estados, nomeadamente Angola, África do Sul, Botswana, República Democrática do Congo (RDC), Comores, E-swatini (antiga Swazilândia), Lesotho, Madagascar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Seychelles, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.