Conflito na Etiópia aumenta riscos de tráfico para exploração sexual

O grupo de peritos em direitos humanos das Nações Unidas alerta para o risco que correm mulheres e meninas em fuga do conflito na Etiópia, “cada vez mais vulneráveis” ao sequestro e tráfico para exploração sexual.

Luanda /
04 Out 2022 / 13:04 H.

Num comunicado divulgado na segunda-feira, em Genebra, a ONU realça que, neste momento, “há mais riscos de tráfico para exploração sexual, como forma de violência sexual em conflito nas áreas do extremo norte” da Etiópia, nas regiões de Tigray, Afar e Amhara, abrangidas pelo conflito armado entre tropas do Governo etíope e homens amados da Frente de Libertação do Povo do Tigray.

O grupo de peritos disse que está em contacto com os governos da Etiópia e da Eritreia precisamente para tratar do assunto. Porque “o momento atual é considerado crucial para acabar com práticas usadas como forma de violência sexual em conflito”.

“A falta de responsabilização pelas violações e crimes” funciona como um “incentivo para alastrar a impunidade” e “há falta de responsabilização pelas graves violações de direitos humanos e crimes, ao ser permitido que o tráfico de pessoas persista e os perpetradores sejam libertados”, salienta-se no comunicado.

O grupo de peritos diz também estar “alarmado com relatos de mulheres e meninas refugiadas e deslocadas internas originárias das três regiões” envolvidas no conflito porque “várias foram sequestradas quando tentavam passar para lugares mais seguros”.

Assim, uma das questões que mais os preocupa “é a dos riscos de tráfico, em particular para fins de exploração sexual, incluindo escravidão sexual”.

No entender dos especialistas, menores refugiados são os mais expostos à situação, após sequestros e deslocamentos. Hoje há “centenas de menores” em Tigray que foram separados das famílias, o que aumenta o perigo de tráfico para fins de exploração sexual.

Assim, apelam a “uma acção urgente para prevenir estes crimes, especialmente quando a finalidade é a exploração sexual”.

Outro imperativo é “garantir assistência e protecção a todas as vítimas, sem discriminação de raça ou etnia, nacionalidade, deficiência, idade ou sexo”, sublinham.

Os especialistas alertaram ainda para “a contínua falta de acesso humanitário” àquela região do norte da Etiópia, que carece de “medidas nacionais, bilaterais e multilaterais imediatas” para prevenir o crime e garantir a protecção de todos os menores.

Na avaliação do grupo, ainda não estão a ser tomadas medidas suficientes para identificar as vítimas, garantir a sua protecção e assistência e apoiar a sua recuperação de “um trauma extremo”.

Os peritos apelam aos envolvidos no conflito, Governo da Etiópia e Frente de Libertação do Povo do Tigray (FLPT), “que assegurem que as vítimas possam ter acesso adequado a auxílio médico, incluindo serviços de saúde sexual e reprodutiva e apoio psicológico”.

A guerra em Tigray começou em 04 de Novembro de 2020, quando Abiy ordenou uma ofensiva contra a TPLF em resposta a um ataque a uma base militar federal e após uma escalada de tensões políticas.

Após meses de esforços diplomáticos para possíveis negociações de paz, os combates foram retomados no final de Agosto passado, marcando o fim da “trégua humanitária indefinida” declarada em Março pelo Governo e o compromisso dos rebeldes com a “cessação das hostilidades”.