Amnistia apela à União Africana para criar tribunal de crimes de guerra

Segundo Muleya Mwananyanda, directora da Amnistia para a África Oriental e Meridional a UA deve tomar medidas ousadas e que já são há muito tempo esperadas

Luanda /
23 Nov 2022 / 11:35 H.

A Amnistia Internacional (AI) pediu, esta quarta-feira, à União Africana que tome medidas, "há muito tempo esperadas", para criar um tribunal destinado a julgar os crimes cometidos durante a guerra civil do Sudão do Sul entre 2013 e 2018.

A criação de um "tribunal híbrido", sob a égide da União Africana (UA), mas também incluindo magistrados sul-sudaneses, para processar os autores de crimes e abusos de direitos humanos durante este conflito, está previsto no acordo de paz de 2015, confirmado em 2018, entretanto, nunca se materializou, de acordo com a organização não-governamental (ONG).

O governo e as forças rebeldes foram acusados de violações em massa, massacres étnicos e alistamento de crianças-soldado durante a guerra que devastou o país mais jovem do mundo, deixando quase 400.000 mortos e milhões de deslocados.

A UA deve tomar medidas ousadas e que já são há muito tempo esperadas", disse Muleya Mwananyanda, directora da Amnistia para a África Oriental e Meridional, num comunicado em conjunto com o Grupo de Trabalho para a Justiça de Transição do Sudão do Sul, uma coligação de organizações da sociedade civil e grupos religiosos.

"O fracasso em criar o tribunal híbrido reflecte a falta de vontade política dentro do governo do Sudão do Sul para responsabilizar os principais responsáveis pelos crimes graves, que provavelmente incluirão altos funcionários políticos e militares", acrescentou a responsável da AI.