Dono do record da banda sonora à luta pela independência de Angola assinala 50 anos de carreira

O músico Bonga Kuenda, considerado ícone da música angolana, regressa ao País para assinalar 50 anos de carreira, no Centro de Conferências de Belas (CCB), uma data memorável para os amantes de boa música.

Luanda /
24 Mai 2022 / 12:04 H.

Bonga assinala 50 anos de carreira com mais de 300 composições, 32 álbuns com inúmeras reedições em todo mundo, seis videoclipes, sete bandas sonoras de filmes, revelando um percurso irrepreensível nas lides artísticas.

Autor de vários sucessos, José Adelino Barcelo de Carvalho, conhecido pelo nome artístico Bonga Kuenda, nasceu em Kipiri, no município do Bengo a cinco de Setembro de 1942, em meados dos anos 60.

Os talentos atléticos o levaram para Portugal, onde chegou a ser campeão nacional dos 400 metros em Portugal (1960-1970).

Bonga Kuenda participou activamente no Movimento Popular Para a Libertação de Angola (MPLA), mas quando o fascismo regime político liderado por António de Oliveira Salazar se apercebeu que o artista estava a fazer jogo duplo, teve de imediato que abandonar o país e foi para um exílio em Roterdão, na Holanda.

Naquele país, em 1972, gravou o primeiro álbum intitulado “Angola 72”, com músicos cabo-verdianos para a marca holandesa Morabeza, o que veio a ser record da banda sonora para a luta pela independência de Angola. A canção estreia foi a emblemática “Mona Ki Ngi Xica”, um lamento de insondável profundidade atlântica.

Passado algum tempo, Bonga embarca para Paris e grava um segundo álbum que se tornou tão importante como o primeiro, desta vez intitulado “Angola 74” com uma magnífica versão de “Sodade” que foi popularizada 20 anos depois pela artista cabo-verdiana Cesaria Évora.

Angola torna-se independente, o fascismo também conhecido por “Estado Novo”, após 41 anos é derrubado (a 25 de Abril de 1974) e é neste período em que Bonga aproveita para dividir o tempo entre Lisboa e Luanda, locais em que teve grandes êxitos, mas recusou-se a fazer o papel de um Júlio Iglesias de língua portuguesa, embora alguns produtores o exortasse a fazê-lo.

Bonga Kwenda, é considerado ícone da música angolana, e deu assim um verdadeiro significado ao conceito de ‘Africanness’, em todo lado, o artista pertence à casta de cantores africanos que exaltaram as suas raízes.

Em 2000 Bonga torna-se artista agenciado pela Lusafrica e lança de imediato a insuperável “Mulemba Xangola” um dueto com a cantora Lura, retratando temas perturbadores e universais.

Anos depois lança três álbuns igualmente cosmopolitas e dançáveis que formulam fortes exigências relacionadas com a identidade - “Kaxexe” em 2003,“Maiorais” em 2005 e “Bairro” em 2008, acrescentou o toque final à lenda de um cantor em movimento perpétuo.

“Best of Bonga” lançado em 2009, comportando uma colecção de clássicos e canções inéditas na altura, como (”Dikanga”), raras (”Agua Rara”, “De Mãos A Abanar”) ou canções remisturadas (”Kapakiao”). Depois, em 2012, foi a vez de “Hora Kota” (O Tempo dos Anciãos).

O último álbum foi lançado em Fevereiro de 2022, designado “Kintal da banda”, propositadamente disponibilizado como forma de brindar com chave de ouro os 50 anos de carreira. Dono de uma voz “roca” e poderosa, facilmente identificada por quem a ouve, garantindo também que permaneçam encantados do início ao fim a ouvir as canções de seus álbuns.