Artes ao vivo, o mais antigo “viveiro” de mentes criativas

“Vamos homenagear a Isabel Baptista que nos abriu as portas da galeria Cenarius, há 15 anos atrás na cidade alta, onde tudo começou”

22 Abr 2019 / 15:47 H.

Com excepção do Elinga, nenhum outro espaço além do Bahia está tão vinculado à trajetória da arte moderna e contemporânea de Angola. Trata-se do lugar que abriga eventos que tenham como finalidade a promoção da cultura e da arte. A completar quinze anos de existência no próximo dia 23, o Artes ao Vivo, é o exemplo mais palpável destes encontros, teve as primeiras edições na Galeria Cenárius, mas já passou por vários spots de Luanda e “fixou” residência no Espaço Bahia com um formato de microfone aberto, música, poesia e outros atrativos, surgiu da iniciativa do Rapper e poeta Lukeny Bamba.

Um dos papéis do “Artes ao vivo” é o de ser instrumento de educação e inserção social. Em cada uma das suas edições, o evento atrai diferentes olhares ampliando assim o conhecimento e convivência com a arte. A mente por trás do projecto contou em exclusivo ao como tudo começou: “Participei várias vezes num evento do gênero em Louisiana-baton rouge (sul dos Estados Unidos) onde eles recitavam “spoken word” o apresentador “Xero” tornou-se meu amigo. E quando regressei a Luanda uma vez que actividades do gênero existem em todo mundo e aqui não existia decide criar um Evento microfone aberto na galeria cenários na cidade alta em 2004”, relembrou Lukeny. Actualmente, as apresentações artísticas são viradas para a intervenção social, sendo um espaço de sinergia para formadores de opinião, que em 2018 entrou para a TPA 2 e além do seu formato inicial, assumiu a vertente de debates e congregou uma corrente spoken que conta com a apresentação de vários poetas “mestres” no spoken word, com temas direcionados para as apresentações coletivas.

Indubitavelmente um “celeiro” de promoção e das artes angolanas, o impacto no desenvolvimento cultura é claramente reconhecido, com grandes talentos da nossa música nacional e não só, que deram os “primeiros passos” naquele palco: Nástio mosquito, Nelson ngenohaita, tunezas, c4pedro, Nadia pimentel, Ndaka yo wiñi, Jack Kanga, kanda e muitos outros. E porque um projecto de tamanha dimensão não podia ser redigido por apenas um homem, Lukeny Bamba juntou-se à Africk, Keita mayanda, Olissassa, Dilson de Sousa, Kardo Bestilo, Shynia Jordão, Myriam, Glória, Elisangela Rita, Victor Barros, Fábio Carvalho, nomes que com o artista engrenaram nesta “aventura”. Uma equipa que mostra-se cada vez mais de pedra e cal nesta empreitada onde quem sai a ganhar é a cultura angolana

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