Quando as medidas de contenção são apenas para o povo

    O facto de o Parlamento ter adiado, “sine-die”, a sexta reunião plenária desta quarta-feira, e deixar os alunos irem à escola é no mínimo desprezível.

    Luanda /
    24 Mar 2020 / 10:13 H.

    Os acontecimentos desta semana, no aeroporto internacional 4 de Fevereiro, na qual alguns passageiros tiveram tratamento privilegiado, ignorando as medidas de prevenção e contenção do Covid-19 é sinal de que alguns cidadãos, inclusive dirigentes, não têm noção da magnitude do problema, uma pandemia com uma alta taxa de contágio. O adiamento, “sine-die”, da sexta reunião plenária da Assembleia Nacional, esta quarta-feira, em função das medidas de prevenção contra a pandemia e deixar os alunos irem à escola, mesmo sabendose dos risco que correm, face a rápida capacidade de propagação do vírus, estimulou os protestos por parte das população, sobretudo nas redes sociais. Tudo indica, segundo fontes do Vanguarda que os protestos precipitaram a decisão do Ministério da Educação de suspender as aulas nas escolas públicas e privadas por um período de 15 dias prorrogáveis por igual período, em função do comportamento da pandemia.

    O comunicado do MED destaca que a suspensão da actividade lectiva surge na sequência das orientações do Executivo sobre as medidas de prevenção contra o Covid-19. Adianta que durante o período em referência, os professores devem atribuir e orientar a realização de tarefas para casa, que deve acontecer nesta sexta-feira, 20. Nas medidas de prevenção do Governo consta, por exemplo, a proibição da realização de eventos públicos como cultos religiosos, actividades culturais, recreativas, desportivas, políticas, associativas, turísticas, privadas e de qualquer outra índole, com a aglomeração de mais de 200 pessoas.

    A suspensão, a partir das 0:00 (zero) horas de sexta-feira de todos os voos comerciais e privados de passageiros de Angola para o exterior e vice-versa, por um período de 15 dias, prorrogáveis, por igual período de tempo, em função do comportamento global da pandemia, embora tenha sido contestada por certos círculos, foi, no entanto, aplaudida pela maioria. Violações da quarentena Depois de preencherem no momento do desembarque o formulário para o controlo sanitário obrigatório, entregue pelas autoridades competentes, os passageiros devem ficar em casa, por um período mínimo de 14 e cumprir com as orientações do Ministério da Saúde.

    De acordo com o decreto provisório, é proibida a visita aos cidadãos abrangidos, durante o período de tempo em que estiverem em quarentena. No entanto, nesta quinta-feira, primeiro dia útil após a quarentena imposta pelas autoridades angolanas a cidadãos nacionais ou residentes estrangeiros provenientes de Portugal, já houve relatos de sistemáticas violações. Um dos citados foi Miguel Catraio, antigo membro do Governo, um dos integrantes do grupo de passageiros que chegou de Lisboa na quarta-feira, 18 à Luanda vindo de Portugal. Foi visto nesta quinta-feira levando uma vida norma na cidade capital. A denuncia é de uma página da rede social facebook, Vigilância Solidária.

    Outra nota positiva foi a interdição da circulação de pessoas nas fronteiras terrestres a partir das 0:00 (zero) horas do dia 20 de Março de 2020, por 15 dias

    Contra a Propagação do Coronavírus, criada para denunciar quem desrespeitar a quarentena domiciliar imposta pelas autoridades. Outra cidadã denunciada é Teresa da Glória Paulo, professora do ISCED do Uíge, que esteve no mesmo voo proveniente de Portugal, e que foi vista pelas COVID-19 Quando as medidas de contenção são apenas para o povo O facto de o Parlamento ter adiado, “sine-die”, a sexta reunião plenária desta quarta-feira, e deixar os alunos irem à escola é no mínimo desprezível. texto Estêvão Martins foto Orlando Zumbi populações do Uíge na zona de Quitexe.

    O decreto assinala também que as administrações e direcções das instituições da Administração Central e Local do Estado, bem como as entidades patronais das empresas públicas e privadas devem considerar como justificada a ausência ao trabalho dos cidadãos, que resulte da observância do período de quarentena, nos termos do disposto no presente diploma. Outra nota positiva foi a interdição da circulação de pessoas nas fronteiras terrestres a partir das 0:00 (zero) horas do dia 20 de Março de 2020, por 15 dias, prorrogáveis, por igual período de tempo, em função do comportamento global da pandemia, uma vez que além dos aeroportos as fronteiras terrestres serem locais de entrada de muitos cidadão, sobretudo de estrangeiros. Orienta os órgãos competentes do Estado, afectos aos Ministérios da Saúde, do Interior, da Defesa Nacional e dos Transportes a zelar pelo cumprimento e materialização das orientações.