Ícone: Léopold Sédar Senghor

Presidente do Senegal entre 1960 e 1980, Léopold Sédar Senghor, considerado um dos últimos “pais fundadores” dos Estados independentes africanos, nasceu em 1906 na cidade costeira de Joal e foi o primeiro africano membro da Academia Francesa.

Paris /
04 Dez 2019 / 10:21 H.

O seu pai, Basile Diogoye Senghor, era um comerciante católico da etnia serer, minoritária no Senegal e a sua mãe, Gnilane Ndiémé Bakhou, era muçulmana de etnia peul. O sobrenome de seu pai, Senghor, deriva da palavra portuguesa “senhor”.

Desde a sua infância, Léopold Senghor teve um percurso tido “atípico” para um africano da sua época, mesmo para um “filho de chefe”. Depois de estudos primários e secundários no Senegal, Senghor vai para Paris e é aí onde tudo começou.

Diplomou-se, na Sorbonne, em línguas e culturas clássicas e se tornou, em 1935, o primeiro africano a obter o título de agregado das universidades (agregado em gramática). Professor do liceu e, mais tarde, na École Nationale de la France d’Outremer, Senghor, a par de uma fulgurante carreira como poeta e ensaísta da “negritude”, tornou-se ainda antes de finais da década de 40 num dos mais conhecidos estadistas africanos.

Ficou preso durante a Segunda Guerra Mundial por dois anos num campo de concentração nazi e só depois os seus ensaios e poemas seriam publicados. Militante da SFIO de Léon Blum entre 1936 e 1946, Senghor foi, de 1945 a 1959, deputado pelo Senegal no Parlamento francês e, entre 1955 e 1959, duas vezes membro do Governo da França. Em 1945, foi conjuntamentecom os africanos Félix Houphouet-Boigny, Lamine Guèye.

Defensor do socialismo aplicado à realidade africana, tentou desenvolver a agricultura, combater a corrupção e manter uma política de cooperação com a França.

Quando o Senegal foi proclamado independente em 1960 – na sequência do seu apelo dirigido ao então presidente da França, Charles de Gaulle - Senghor elegeu-se por unanimidade presidente da nova República, vindo a desempenhar o cargo até o final de 1980, por reeleições sucessivas em 1963, 1968, 1973 e 1978.

Teve três filhos e foi distinguido com o Grande Colar da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada de Portugal a 13 de março de 1975.[4] Recebeu o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Évora em 17 de Junho de 1980.