Taxa de bancarização de 37% no mercado informal

A segurança é citada por 37,2% dos comerciantes informais como a principal razão para abrirem conta. No sentido oposto, 28% acreditam que não têm dinheiro para ter conta no banco. Contudo, cerca de 70% dos inquiridos que não têm conta, manifestaram o interesse em ter uma conta bancária.

Luanda /
20 Nov 2020 / 03:41 H.

Apenas 36,6% dos comerciantes informais nos principais mercados de Luanda possuem contas bancárias, revela um estudo do Conselho Nacional de Estabilidade Financeira (CNEF) que conclui que a falta de informação é uma das principais culpadas da fraca bancarização.

De acordo com o relatório, 12% dos comerciantes fora do sistema bancário justificam não terem conhecimento dos procedimentos para ter uma conta no banco, 28% acreditam não ter dinheiro suficiente, 17% alegam falta de tempo para se dirigirem a uma agência bancária e 10% não confiam nos bancos. Contudo mais da metade (69%) manifestaram o interesse em ter uma conta bancária.

A taxa de bancarização mais elevada foi registada nas “praças” do Kikolo 2 e dos Congolenses com 62,4% e 57,5%, respectivamente. Na contramão, os locais onde mais comerciantes não têm conta são o Mercado do 30, com uma taxa de bancarização de 24,1%, e o Catinton, com 22,7% de bancarizados.

Para os comerciantes com conta bancária, a principal razão para a abertura prendeu-se a questões de segurança (37,2%) e o desejo de poupar, um terço.

Dos comerciantes que realizam poupança a maioria encontra-se dentro do sistema bancário (66%) e os demais 44% fora dele. Quanto às poupanças, o estudo aponta que “56,7% dos comerciantes fazem poupança, mas apenas 25,9% poupam para a reforma”. Os comerciantes que não poupam para a reforma pensam sustentar-se na velhice, entre outras, através dos filhos (28,8%), família alargada (17,6%) e trabalho (9,6%). Os homens, com 60% poupam mais do que as mulheres (56%).

“Kixiquila” e crédito pessoal ditam nível de endividamento

Nos mercados informais, o crédito é pessoal ou recorrendo à ´kixiquila´. Os montantes envolvidos são iguais ou inferiores a 10 mil kz”.

De acordo com o estudo, 63,8% dos casos recorreram a uma fonte credora pessoal, seguida da kixiquila, com 20,4%. Apenas 9,8% dos inquiridos contraíram crédito bancário para financiar os seus negócios e despesas.

O estudo dá conta que 38,1% dos comerciantes obtiveram crédito mais de 10 vezes, 17,8% mais de 5 vezes e 16,8%, entre 3 e 5 vezes.

Os créditos são maioritariamente para investir no negócio, o que representa 56,2% dos pedidos, 1,9%, para pagar despesas de saúde e 10%, para pagar despesas familiares.

Quanto às dívidas, “83% dos comerciantes afirmam não estar endividados”. “O endividamento é inferior entre os comerciantes que não têm nenhuma escolarização (10%), os que concluíram o ensino primário (12%), que frequentaram escolas técnicas ou profissionais (15%) e que frequentaram a universidade ou instituto superior (15%)”, lê-se.

“Apesar do baixo grau de endividamento, as mulheres (19%) estão mais endividadas do que os homens (14%)”, realça o documento.

Seguros

Além dos temas ligados à banca, o estudo do CNEF questionou os comerciantes sobre seguros, concluindo que apenas 6% dos comerciantes têm seguro, destes, 45% subscreveram o seguro de saúde e 34% o seguro automóvel”.

“A subscrição ao seguro é mais comum entre os comerciantes com um grau de escolaridade superior, nomeadamente: os que concluíram o ensino técnico ou profissional (14%), frequentaram uma universidade ou instituto superior (12%), ou concluíram o ensino superior (16%)”, explica o relatório.

O estudo lança ainda um olhar sobre a questão das novas tecnologias concluindo que apenas 35% dos inquiridos têm acesso à internet e 95% dos comerciantes não efectuam transacções online.

Em termos etários, a maior parte da população nos mercados concentra-se no intervalo dos 30 aos 44 anos de idade, sendo que há uma tendência crescente dos 15 aos 39 anos. A população inquirida é predominantemente feminina, representando 68,9%.

Quanto ao grau de escolaridade, verificou-se que a maior parte da população dos mercados informais frequentou o ensino primário, entre 1ª e 6ª classe, o que representa 24,8%. Enquanto que 21,5%, o ensino secundário do 1.º ciclo, 12,7% o ensino secundário do segundo ciclo, 1,7% concluíram a universidade ou ensino superior e 10,9% não têm escolaridade.

Relativamente a identificação, 23% dos inquiridos não têm bilhete de identidade. Em alternativa a este documento, para efeitos de identificação, os inquiridos recorrem à cédula de nascimento (42,1%) e ao cartão de eleitor (40,4%).

Sobre o estudo

O estudo baseou-se nos principais resultados dos inquéritos relativos à inclusão financeira realizados no mercado popular do “Km 30”, Kikolo, Asa Branca, Congolenses e Mercado 1.º de Agosto (Catinton).

Os inquéritos foram criados por uma equipa do Secretariado Executivo do CNEF e realizados em parceria com o Banco Nacional de Angola (BNA), a Comissão do Mercado de Capitais (CMC), a Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG) e o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), em Março de 2020.