Ré Isabel Bragança fala das receitas do CNC

A antiga directora-adjunta para a Administração e Finanças do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), Isabel Bragança, afirmou em tribunal, que a responsabilidade de depositar as receitas deste instituto público cabia aos ministérios dos Transportes e das Finanças.

Angola /
14 Jun 2019 / 10:56 H.

Durante a oitava sessão de audiência e discussão de julgamento, Isabel Bragança disse, à instância do juiz, que não cabia à direcção do CNC a responsabilidade de transferir as receitas para a Conta Única do Tesouro (CUT).

A ré Isabel Bragança revelou que o CNC nem possuía as coordenadas bancárias da CUT, embora reconheça que o ideal seria que as receitas fossem depositadas nos Cofres do Estado, sem dedução.

Nas sessões anteriores, o antigo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, figura principal deste processo, havia afirmado que as receitas arrecadadas pelo CNC eram depositadas na CUT e, posteriormente, utilizadas na execução do Orçamento Geral do Estado (OGE).

Durante a discussão da causa, na tentativa de aprofundar a prova, o júri interrogou-a sobre a forma como foi criado e gerido o programa de bolsas de estudo, que subtraiu dos cofres públicos (CNC) sete milhões e 500 mil dólares norte-americanos (USD).

O dinheiro destinava-se, alegadamente, à superação técnica dos funcionários do CNC no exterior do país.

No seu depoimento, Isabel Bragança afirmou que o aludido programa de bolsa de estudo devia ser comparticipado com os beneficiários, a fim de não sobrecarregar as despesas do instituto tutelado pelo Ministério dos Transportes e das Finanças.

“Eu era contra essa prática e estilo discriminatório, mas não me ouviam e nem tinha poder de decisão”, declarou.