Multinacional do Dubai gere Terminal Multiusos

A multinacional Dubai Ports World (DP World), vencedora do concurso internacional para gerir o Terminal Multiusos (TMU) do Porto de Luanda, já tem luz verde para começar a operar no País.

Luanda /
26 Jan 2021 / 10:34 H.

O contrato de concessão para a exploração do terminal foi assinado ontem, em Luanda, entre o Governo de Angola e a liderança da empresa. A parte angolana esteve encabeçada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, e o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas de Abreu.

A multinacional vai investir cerca de 190 milhões USD para o desenvolvimento do Porto de Luanda. Este investimento vai passar por uma gestão anual de cerca de 700 mil contentores. Após a assinatura do contrato de concessão para a exploração do TMU do Porto de Luanda, o Presidente do Conselho de Administração da DP World, Sultan Ahmed Bin Sulayem, foi recebido, em audiência, na Cidade Alta, pelo Presidente da República, João Lourenço.

No final da audiência, o PCA da DP World revelou à imprensa que o encontro serviu para agradecer ao Presidente da República pela confiança e missão depositada à sua empresa para gerir o TMU do Porto de Luanda. "Estamos prontos para fazer um investimento de grande dimensão e de grande escala naquele Porto”, garantiu, tendo acrescentado que os fundamentos económicos de Angola são bastante fortes e dão sinais de esperança.

Referiu que a DP World é uma empresa com vasta experiência no ramo, estando, por isso, neste momento, presente em mais de 60 países. "Operamos em mais de 90 terminais a nível do mundo e temos grande implantação a nível de África”, destacou.

Garantiu estarem implantados desde a Austrália à América Latina. Disse terem capacidade, pontos fortes, habilidades e competências que lhes permite ser, também, operadores logísticos, "de tal forma que temos os nossos próprios comboios, navios e gerimos parques industriais de zonas francas”.

Sultan Ahmed Bin Sulayem ressaltou serem, actualmente, o segundo maior operador de comboios na Índia, Austrália, Peru e Chile. Prometeu trazer ao País as capacidades e valências adquiridas a nível do mundo para alavancar a actividade do Porto de Luanda. "Vamos utilizar, também, as nossas conexões a nível do mundo para que possamos trazer mais investimentos para Angola”, realçou.

O concurso que habilita a empresa a executar a empreitada foi lançado em Dezembro de 2019. A proposta da empresa foi considerada, entre as outras, a melhor, por servir o interesse público.

A proposta da DP World apresenta como vantagem, em relação a outros concorrentes, pagamentos que, ao longo do período de concessão, vão representar um valor superior a mil milhões USD, dos quais 150 milhões serão entregues agora na sequência da assinatura do contrato.

Outras características da proposta é um valor actual de pagamentos à concedente, superior a 400 milhões USD com referência do ano de 2020 e a execução de um plano de investimentos num valor acima de 190 milhões USD.

O investimento deve realizar-se ao longo dos 20 anos de concessão, dos quais mais de 70% serão efectuados com recurso à incorporação nacional.

O plano de investimento prevê ainda a reabilitação da infra-estrutura física do cais do TMU, a realização de obras civis necessárias para implementar um novo plano de planta, sendo ainda uma vantagem a manutenção de postos de trabalho do pessoal afecto ao terminal.

Consta ainda das vantagens dessa proposta a reabilitação e aquisição de equipamentos que permitirão a transição da operação do TMU para uma operação alicerçada em grua RTG em linha com as melhores práticas internacionais.

Faz, igualmente, das metas a criação de uma plataforma logística externa, para permitir atingir um volume de tráfego objectivo de 700 mil contentores por ano, suportado por um moderno sistema de gestão portuário.