MPME em Cabinda não acreditam nos programas de alívio financeiro

Ceticismo quanto a veracidade dos programas, desconhecimento, burocracia excessiva, dificuldades no acesso a informação privilegiada afastam 71% das empresas ao programa.

Luanda /
22 Set 2020 / 15:07 H.

Aproximadamente 88% das Micro, Pequenas e Medias Empresas, MPME, em Cabinda não beneficiaram do programa de alívio financeiro do Estado para amenizar as consequências económicas causadas pela pandemia do novo corona virus, segundo revela um estudo independente da consultora Cepi-Service Lda.

O estudo sobre o “Impacto da COVID-19 nas MPME” aponta que a expressiva maioria das MPME envolvidas na pesquisa não possuíam conhecimento sobre o programa ou medida de apoio promovido pelo Estado como o alívio fiscal, alívio no pagamento de salários, remoção do excesso de burocracia e linhas de crédito.

Apesar das linhas de crédito serem entendida como uma acção reactiva do Executivo, cerca de 101 das 142 empresas que compõem a amostragem (71%) não concorreram para o acesso ao programa de apoio.

Na base da fraca adesão esteve o cepticismo quanto a veracidade dos programas, desconhecimento, burocracia excessiva, dificuldades no acesso a informação privilegiada.

Papel da banca comercial em Cabinda

O estudo divulga que em Cabinda os micro, pequenos e médios empresários encontram dificuldades do enquadramento do sector financeiro na política de sustentabilidade das suas empresas.

O estudo revela que 88,1% das empresas que participaram do estudo alega que os bancos com que trabalham não estão a ajudar em nada, e 9,5% recebe ajuda razoável e 2,4% recebe ajuda significativa da banca comercial na província.

O estudo revela que 61,5% das 142 empresas afirmou que caso a crise persistir e se não houver intervenção do Estado, vão reduzir recursos humanos por via das demissões e 23,1% sustenta que pode vir a encerrar as empresas.

O relatório indica que em Junho mais de 2000 funcionários foram despedidos no campo petrolífero de Malongo, e no mês de Maio mais de 4000 perderam os seus empregos por causa da pandemia.

Soluções apontadas

De acordo o estudo as empresas indicam a desburocratização do acesso ao programa de apoio ao alívio económico, a agilização na disponibilização de recursos financeiros do programa, a criação de um corredor de apoio no acesso ao programa de alívio económico as MPME´s nos municípios do interior de Cabinda.

As empresas pedem também a criação de um grupo de avaliação de uma estratégia interprovincial de apoio às MPME´s em Cabinda, a criação de mecanismos de negociação com as empresas do sector petrolífero para assegurar ou garantir a indeminização mínima aos desempregados.

Transformação Digital

As empresas na província de Cabinda, usam a internet para chegar aos clientes, e cita o estudo, entre as empresas que participaram 59% destas recorrem a rede social Facebook, 2,81% fazem recurso ao instagram, 29,57% tem site próprio, 8,45% terceirizam os seus serviços a uma empresa de marketing.