Metro de superfície une Porto de Luanda à centralidade do Kilamba

Ministro dos transportes pretende dar início a obra já em Janeiro, enquanto especialista defende a posição dos estudos geológicos, topográficos e sociais.

Luanda /
01 Dez 2020 / 14:09 H.

A Linha Amarela do metro de superfície de Luanda vai unir o Porto de Luanda à centralidade do Kilamba numa extensão de 37 quilómetros, com estações nas imediações do Aeroporto 4 de Fevereiro, Unidade Operativa de Luanda e no distrito urbano da Sapú, apurou o Vanguarda.

O traçado que serve de eixo entre dois pontos principais da capital começa a ser construído no início de 2021, segundo tornado publico esta semana pelo ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, durante o encontro denominado ´Café com jornalistas´, alusivo o 44º aniversário do sector.

“Estamos a acelerar o estabelecimento das Parcerias Publico Privadas para dar início ao processo de construção da primeira linha de cerca de 30 quilómetros de um total de 149 da rede básica prevista” avançou o ministro acrescendo que a construção da infraestrutura foi prevista em 2019 no valor de três mil milhões USD.

Fez saber que o Governo prevê concluir a formalização da parceria público-privada (PPP), ainda este ano, para dar início ao processo de construção das linhas do metro em Janeiro de 2021. Contrariamente ao previsto, a empreitada já não será realizada pela empresa alemã Siemens Mobility.

Na óptica do engenheiro civil, Nelson Sousa, o sucesso da construção da linha metroviária depende do acautelamento de um conjunto de pressupostos técnicos e sociais.

“O projecto vai envolver não só a construção da linha, mas também vai ter de desapropriar pessoas. Ao desapropriar, tem de se ter em conta um quadro de política técnica e económica para ver onde se vai realojar essas pessoas e que condições serão realojadas. Deve se ver também que estudos topográficos, geológicos e técnicos estão previstos”.

Nelson Sousa refere que a construção da linha do metro de superfície acaba por isolar várias zonas, vai perturbar o sistema rodoviário, terá maior interferência com a rede de serviços públicos e poderá trazer prejuízos em algumas actividades socioeconómicas.

Um outro assunto levantado pelo especialista é o facto de a cidade de Luanda ser poluída. “Temos muita poeira, muitos resíduos sólidos que andam por ali, que vai exigir que haja maior resiliência por parte da empresa que fará a gestão da linha. Esse tipo de metro não lida muito com a poeira por causa dos carris, portanto, terá de se fazer constantemente a manutenção da mesma”, realçou.

Por outro lado, o também engenheiro do território, aponta que a construção do metro vai criar uma cadeia de valor, além de tornar mais fácil a mobilidade das pessoas e o tráfego, vai trazer um conjunto de cadeia de serviços, um centro de manutenção, que vão permitir a criação de mais postos de trabalho, contribuindo assim para a arrecadação de receitas.

O que se falou no encontro com os jornalistas

Durante o encontro com jornalistas, Ricardo De Abreu anunciou um conjunto de medidas que estão a ser tomadas pelo Governo angolano para o sector dos transportes.

Quanto aos caminhos de ferro, o Governo pretende lançar, em Dezembro deste ano ou Janeiro de 2021, o concurso de concessão de infra-estruturas e serviços ferroviários dos Caminhos de Ferro de Benguela (CFB), numa primeira fase, e depois do de Luanda (CFL).

No âmbito de um plano designado “Projecto Corredor do Norte”, pretende-se assegurar que as três linhas férreas, de Luanda, Benguela e do Namibe, tenham ligação com países vizinhos, através de parcerias público-privadas.

Já para o subsector rodoviário, pretende aumentar a frota de transportes públicos de passageiros e também implementar os Planos de Mobilidade e Transportes Locais, através dos governos provinciais, assim como reformas estruturais a nível das leis que regulam a actividade do transporte colectivo de passageiros.

Para a aviação, informou que as obras no novo aeroporto de Luanda retomam em Janeiro, estando, neste momento, a ser solucionados os problemas logísticos e administrativos para a vinda de técnicos chineses.

“Apesar da reformulação do projecto inicial, não haverá derrapagem, mantendo-se o investimento inicial de 1,4 mil milhões USD previstos, financiado por uma linha de crédito da China”, garantiu.

No domínio marítimo-portuário, prevê-se a construção e reabilitação das infra-estruturas de passageiros, assim como a concessão dos terminais marítimos a privados para explorar.

De igual modo, o aumento da capacidade de transporte de passageiros entre Luanda, Soyo e Cabinda, com a recente aquisição de um catamarã com capacidade de transportar veículo automóvel, além de passageiros. Ricardo de Abreu informou que está concluído o processo de transferência dos activos da empresa dos catamarãs para a Secil.

Falou-se também sobre a implementação do Plano Director Nacional dos Transportes e Infra-estruturas Rodoviárias, até 2025, que vai custar cerca de 2,2 mil milhões USD por ano.

De acordo com dados ministério dos transportes, este investimento corresponde a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e prevê uma melhor adequação das infra-estruturas e dos serviços dos transportes, seguindo a dinâmica demográfica e económica do País.