Mercado segurador em 2020 “vai manter-se moderado”, afirma Kianda Trozo

*PCA da Protteja Seguros, Kianda Trozo acredita que em 2020 o crescimento do mercado segurador vai ser moderado, face ao estado actual da economia do País. Diz que além dos incentivos novas políticas devem ser traçadas para o fortalecimento do sector.

01 Jan 2020 / 08:00 H.

Qual é a sua apreciação que faz do mercado nacional de seguros?

Do meu ponto de vista, este mercado possui uma margem de crescimento muito grande, uma vez que o nível de penetração dos seguros na economia continua abaixo de 1%. Ainda assim, a minha perspectiva é bastante animadora, mas hoje, porém, as condições económicas, e não só, constituem um entrave para o próprio sector. Ou seja, do ponto de vista da actividade seguradora tenho um princípio fundamental sobre o conceito de seguro, cosseguro e de resseguro. E para que isto funcione é preciso que o mercado esteja com alguma estabilidade. Neste momento, como é segundo o pronunciamento púbico do próprio governador do BNA, não há condições para que as empresas de seguros possam, normalmente, funcionar por causa da actual situação do País. Por isso é importante que se procure alternativa por forma a mitigar esse risco.

Face ao estado actual do País, que carece de dividas para o cumprimento dos tratados de resseguro, muitas companhias têm apostado na retenção do risco. Qual é a estratégia da Protteja nesse aspecto?

Para este capítulo, é importante olharmos para a história e o comportamento do risco de produto para produto. Existem segmentos de seguros que hoje, face a situação de crise financeira vigente e o estado da carteira, entendemos aumentar os níveis de retenção devido a limitação de divisas.

Quais são esses produtos?

Estamos a falar fundamentalmente do seguro automóvel, viagem e multiriscos. Saúde e seguro de acidentes de trabalho a retenção é feita a 100%.

Fazendo este tipo de retenção de riscos não acha que está a colocar em cheque a sobrevivência da própria seguradora no caso da ocorrência de sinistros de grandes proporções?

Em relação daquilo que diz, temos sido prudente e cumprido na integra aquilo que são as boas práticas de gestão. Ou seja, não temos aumentado os nossos custos de funcionamento. Assim sendo, fazemos uma gestão racional que nos permita ter as nossas provisões e os recursos necessários para atender qualquer sinistro.

Além da parceria com os Correios de Angola, quais são os outros projectos que tem para 2020?

Para o próximo ano temos projectado a venda de seguros via telefone, que já se faz na praça, mas nós vamos lançar um pacote diferenciado. Pretendemos igualmente avançar com a televenda e a instituição do estafeta para a entrega de documentos ao domicílio.

O que espera do mercado segurador para 2020?

A nível do mercado, atendendo os sinais da nossa economia, pensamos que no próximo ano, por exemplo, em termos de performance acredito que não será muito mais daquilo que estamos a apreciar neste momento. O crescimento vai ser moderado, acreditamos. As políticas quanto para a componente de supervisão e fiscalização da actividade seguradora e o próprio investimento público não dá sinais de que em 2020 haverá grande crescimento. Portanto, consideramos o próximo ano o mercado vai manter-se moderado, face o histórico dos últimos três anos. A aposta vai ser, com certeza, a criação de condições para a evolução do sector produtivo.

*Excerto da entrevista do executivo publicada na edição nº 148 do Jornal Vanguarda.