Limpeza dos balanços reduz facturação em 55,3%

A redução observada nos resultados financeiros das empresas do Sector Empresarial Público (SEP), em 2019, deve-se ao exercício de limpeza dos balanços (componente da dívida), como uma das medidas de saneamento.

Luanda /
02 Set 2020 / 09:02 H.

De acordo com o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), no seu relatório sobre a actividade operacional das empresas públicas, foram assumidas perdas que se encontravam registadas nos balanços e que permitirão que as empresas consigam apresentar resultados melhorados nos próximos exercícios económicos.

Assim, a actividade operacional das empresas públicas traduziu-se, em 2019, num resultado financeiro de 211,7 mil milhões Kz, inferior em 55,3% quando comparado ao registo de 2018. Entre as empresas que mais contribuíram para este resultado estão a Recredit com cerca de 50% e a Prodel com 13,2%, respectivamente.

A redução acentuada é justificada pelas ausências da TAAG e Sonangol, bem como a não inclusão dos proveitos operacionais das empresas do sector financeiro. Quanto ao Retorno sobre o Capital Próprio (ROE), o ano passado, assistiu-se a uma queda acentuada de 9,19 pontos percentuais, passando de 1,40%, em 2018, para um retorno negativo de 6,56.

Pelo facto de a Sonangol e a TAAG não terem reportado as contas relativas ao exercício em apreciação até ao momento, o retorno obtido demonstra a corrosão do património do Estado a nível das empresas, resultante de sucessivos resultados negativos de um grupo expressivo de empresas. Em 2019, assistiu-se também a um decréscimo em todos os principais indicadores financeiros, embora a análise esteja limitada pela ausência de informação de empresas de relevo.

Por este facto, o rácio de transformação aplica-se apenas à banca. Os resultados operacionais sobre os activos não financeiros (ROA) não se aplicam às seguradoras.

Capitais próprios caem

Os dados disponibilizados apontam para uma queda no capital próprio de 61%, maior do que a registada no activo e passivo. A razão fundamental dessa diferença pode estar associada à queda acentuada no resultado líquido em 2019, da ordem dos 3.074%, comparativamente a 2018. Aliás, este é, também, o principal factor explicativo da diminuição do ROE em 656,09%, segundo o relatório.

No que toca aos subsídios operacionais, o IGAPE informa que são transferidos, anualmente, a um conjunto de 12 empresas, com o propósito de fazer face às despesas correntes essenciais, sobretudo, salários. Em 2019, o valor dos subsídios tiveram um aumento na ordem de 20%, traduzindo um aumento de 6,11 mil milhões Kz, ou seja, passou de 29,91 mil milhões para 36,02 mil milhões e tiveram como base o surgimento da ENAPP e o ajustamento salarial em duas empresas do sector da comunicação social.