Banco Nacional pondera deixar Equipa Económica

O Banco Nacional de Angola (BNA) estuda a possibilidade de se retirar da Equipa Económica, na sequência da saída do Estado da estrutura accionista dos bancos comerciais.

Luanda /
30 Jul 2020 / 09:20 H.

Hoje, a participação do governador do BNA na Equipa Económica do Governo é um dos temas em estudo, que procura aferir a viabilidade da continuidade ou não do modelo. Garantias de José de Lima Massano, dadas terça-feira no espaço “Grande Entrevista” da Televisão Pública de

Angola, indicam a revisão à Lei do BNA, para esclarecer o tipo de relação que pode ser mantida entre o banco central e o Executivo.

Além disso, avalia-se ainda o peso da saída do Estado na estrutura accionista dos bancos comerciais, uma medida que visa conferir, cada vez mais, autonomia e menos intervenção nos bancos em situação crítica. Contudo, disse o governador, os modelos são vários e estão em análise, uma vez que funcionam bem numa realidade e mal noutra.

Créditos em dólares

Quanto aos clientes que contrataram créditos em dólares junto dos bancos comerciais e que estão obrigados, neste momento, a pagar as prestações em kwanzas na actual taxa cambial, vão ser revistos os respectivos compromissos. Conforme garantiu o governador, a posição cambial (diferença entre os activos e passivos em moeda estrangeira) vai ser assegurada pelo regulador, para permitir que o actual aperto aos clientes e que decorre da implementação da taxa de câmbio flutuante deixe de verificar-se e, com ela, as repercussões negativas nas contas de cada cliente abrangido pela situação.

José de Lima Massano prometeu fechar este “dossier” dentro de duas semanas, altura em que o banco central deve emitir um comunicado sobre o acordo já rubricado com a banca comercial. Fez saber que, por altura da tomada de tal decisão, a diferença entre as taxas de câmbio oficial e a do mercado paralelo rondava 150%. Tal cenário, descreveu, era impensável, pois, ninguém pode lucrar percentagens iguais em minutos e “hoje, a situação é bem melhor”.

Na “Grande Entrevista”, José de Lima Massano disse que a desdolarização visou tornar Angola numa economia normal e responder às preocupações de entidades externas, porque tais instituições questionavam os altos volumes de divisas que a economia angolana movimentava.

Como as divisas entravam por via de um operador baseado na África do Sul e com a entrada de menos divisas, face à queda dos preços do petróleo nos mercados internacionais, tornou-se ainda mais insustentável continuar nos tradicionais procedimentos de requisição de divisas.