Banco Mundial espera alívio da dívida pelos privados e Angola é o mais beneficiado

O presidente do Banco Mundial, David Malpass, disse hoje que espera que os credores privados encontrem um mecanismo para aliviar o peso da dívida, em termos comparáveis à iniciativa do G20, cujo maior beneficiário é Angola.

Luanda /
23 Jun 2020 / 16:35 H.

"O ponto de vista da comunidade internacional era muito claro no comunicado do G20 e nas discussões, os credores do sector privado deveriam definir uma metodologia para dar um tratamento comparável ao que estava a ser feito pelos credores bilaterais oficiais", disse David Malpass em entrevista à Bloomberg, na qual acrescentou: "Acredito que vão conseguir fazer isso e avançar com o processo".

Em Abril, o G20 concordou com uma suspensão temporária dos pagamentos da dívida para mais de 70 países em dificuldades financeiras para fazer os pagamentos e, ao mesmo tempo, lidar com o aumento das despesas de saúde para combater a pandemia de COVID-19 e lidar com a suspensão da actividade económica.

Nas últimas semanas, os países com elevada dívida comercial mostraram-se relutantes em avançar para uma iniciativa similar a do G20, citando as preocupações com degradações do 'rating' e, por outro lado, os credores argumentaram com as obrigações fiduciárias para com os derradeiros detentores da dívida privada, o que tem atrasado o processo.

O Instituto Financeiro Internacional (IFI), que tem liderado as negociações com os ministros das Finanças destes países, estima que as nações mais pobres têm cerca de 140 mil milhões de USD (123 mil milhões de euros) em dívida por pagar este ano.

O Banco Mundial estima que estas nações possam poupar 12 mil milhões de USD (10,5 mil milhões de euros) através das suspensões temporárias, recursos que, apontou, deverão ser usados para lidar melhor com a emergência de saúde pública e a crise económica, e não para os pagamentos às nações mais ricas.

De acordo com os dados do Banco Mundial, Angola é o país que mais vai beneficiar com o plano, podendo poupar 3,4 mil milhões de USD, cerca de 28% da dívida total, diz a Bloomberg, lembrando que a China concordou numa moratória de 3 anos para os pagamentos de juros, num total de 21,7 mil milhões de USD(19,1 mil milhões de euros).

A China, de resto, é um parceiro incontornável neste acordo, já que é a credora de cerca de 60% da dívida que os países mais pobres deveriam pagar este ano.