Banco Mundial e FMI mantêm recessão de 4% em 2020 para Angola

Mais optimista do que as instituições de Bretton Woods, o Governo espera uma recessão de 3,6% para este ano. Já o BFA é mais pessimista e aponta para uma contracção da actividade económica superior a 5%.

Luanda /
17 Out 2020 / 07:00 H.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevêem uma recessão de 4% em 2020 para Angola seguida de uma recuperação em 2021 com um crescimento da economia nacional de 3,2%, mantendo as projecções de Junho do corrente ano.

As previsões constam dos últimos documentos divulgados pelas instituições sediadas em Wonghiston, nomeadamente, “World Economic Outlook”, divulgado esta terça-feira pelo FMI e “Africas´s Pulse”, divulgado no dia 08 de Outubro pelo Banco Mundial.

“Em Angola, a crise da COVID-19 empurrou a economia para o quinto ano de recessão, com o PIB a dever cair 4%; uma recuperação parcial é esperada em 2021, com o PIB a crescer 3,2%, sustentada no fortalecimento do sector petrolífero, especialmente devido ao fim do corte da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), e na retoma dos investimentos para estancar o declínio estrutural na produção”, lê-se no relatório Africas´s Pulse.

O FMI fez a primeira previsão para 2020 em Abril, onde apontava para uma contracção de 1,4 % da economia angolana, depois de o País ter registado uma recessão de 1,5 % em 2019.

Em Junho, no relatório sobre actualização das Previsões Económicas para a África Subsaariana, a instituição piorou a previsão de evolução da economia antecipando uma recessão de 4%.

A previsão foi confirmada na terceira avaliação do FMI, no âmbito do Acordo de Financiamento Alargado (EFF, na sigla em Inglês), que aprovou o aumento do financiamento ao País em 765 milhões USD, e o desembolso imediato 1 000 milhões USD.

Já o Governo é mais optimista do que o FMI. “Todas as previsões anteriores à crise diziam que em 2020 Angola iria crescer em torno de 1,8%. Em consequência da crise pandémica, espera-se agora que o País venha a evidenciar uma taxa negativa de crescimento na ordem de 3,6%”, disse o presidente da República, João Lourenço, durante o discurso do Estado da Nação, esta quinta-feira, em Luanda.

Por sua vez, o gabinete de estudos económicos do Banco de Fomento Angola (BFA) numa nota informativa sobre a terceira revisão do FMI, prevê que a economia angolana registe uma recessão superior a 5%, salientando que sem o apoio dos bancos multilaterais o País entraria inevitavelmente em “default”.

“Neste cenário, o default seria inevitável, enfrentando o País uma crise de pagamentos gravíssima, ao que se seguiria provavelmente uma depreciação muito mais acentuada do que a actual, forçando as importações a decrescer ainda mais, e com cortes nos gastos públicos enormes, parando todo e qualquer investimento em curso e obrigando muito provavelmente a despedimentos de funcionários públicos em larga escala e diminuição nominal de salários”, justificam os técnicos do BFA.

Angola nas reuniões de primavera do Banco Mundial e FMI

Angola participa com uma delegação chefiada pela ministra das Finanças, Vera Daves, nas tradicionais reuniões anuais do Banco Mundial e FMI, que decorrem de 12 a 17 Outubro.

A ampliação da moratória sobre os pagamentos da dívida está a ser um dos principais temas em debate nos encontros anuais do FMI, e foi classificada pela ministra das Finanças como crucial para a sobrevivência de muitas economias africanas.

Vera Daves, que participou no evento sobre “Recuperação e resiliência pós-covid-19”, promovido por vídeo-conferência pelo FMI, nesta terça-feira, afirmou que o País está a negociar com os credores internacionais para adiar o tempo de pagamento da dívida.

Em declarações à imprensa, a ministra esclareceu que, na eventualidade de os credores não aceitarem o pedido de prolongar o pagamento da dívida, o País terá de reduzir as despesas e optimizar a gestão fiscal.

Por seu turno, os membros do G20 concordaram esta quarta-feira numa extensão da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) até Junho de 2021, com possibilidade de ser prolongada por mais seis meses.

“Devido à contínua pressão de liquidez, enquanto os países lidam progressivamente com as vulnerabilidades da dívida, concordamos em prolongar a DSSI por seis meses, e examinar por altura das Reuniões da Primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial se a situação económica e financeira requer outra extensão de seis meses”, lê-se no documento divulgado a seguir à reunião virtual dos governantes do G20.

O Governo angolano comprometeu-se com o Clube de Paris a obter de todos os outros credores oficiais bilaterais um tratamento do serviço da dívida que esteja em linha com o acordado com o Clube de Paris.

É o caso da China que não faz parte do Clube, mas integra o G20 no âmbito do qual foi adoptada a DSSI. De acordo com o Banco Mundial, Angola pode poupar até 2,6 mil milhões USD com a Iniciativa.