BAD estuda descida do valor mínimo de projetos no Compacto para incluir países mais pequenos

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) está a estudar as maneiras possíveis de descer a fasquia de 30 milhões de dólares, abaixo da qual não pode financiar os projectos apresentados no âmbito do Compacto para os países lusófonos.

14 Jun 2019 / 10:49 H.

“Estamos a estudar uma estratégia para reduzir o valor porque há muitos países que vão beneficiar do Compacto que são países onde o sector privado é ainda incipiente”, disse o vice-presidente Mateus Magala em entrevista à Lusa em Malabo, na Guine Equatorial, onde decorrem até sexta-feira os Encontros Anuais do BAD.

“Para facilitar que haja mais projectos e projectos inovadores, teremos de pensar no limite”, disse o banqueiro moçambicano, apontando que a discussão interna em curso no banco incide sobre o equilíbrio entre “fazer muitas coisas pequenas e não ter um impacto ou fazer uma coisa grande que seja transformadora”.

O Compacto para o Desenvolvimento é um modelo de financiamento que procura descer os custos para as empresas que invistam nos países lusófonos em projectos privados sancionados pelo BAD e que beneficiam de garantias estatais concedidas por Portugal.

Ao abrigo deste modelo, os projectos devem ter um valor acima de 30 milhões de dólares, o que torna difícil que os países mais pequenos consigam ter projectos privados num valor acima deste mínimo.

“Indo para tranches mais pequenas corremos o risco de diluir o impacto dos projectos”, disse o banqueiro com o pelouro dos Serviços Corporativos e Recursos Humanos.

“As constatações iniciais mostram que talvez possamos descer um bocado o valor mínimo, por exemplo através da inovação, ou fazer empréstimos subordinados ou avançar com um procedimento programático em que há um pacote de projectos com uma ligação, uma cadeia de valor, em que o primeiro projecto tem um objectivo que se encadeia no âmbito do segundo e terceiro”, explicou na entrevista à Lusa.