Angola sem capacidade para acolher navios de cruzeiro

Angola sem capacidade de atracção de cruzeiros e com valores muito inferiores à maioria dos países subsaarianos. O número médio de chegadas por ano de cruzeiros em países costeiros da África Subsaariana é de 38, sendo que o nosso país regista uma média de 15 chegadas por ano, consta da Revista sobre “Estudos da Cadeia de Valor do Turismo em Angola”.

Luanda /
23 Out 2020 / 14:58 H.

Ao fazer-se uma caracterização sobre as principais fragilidades relacionadas com oferta de alojamento e produtos turísticos e identificação desta cadeia de valor, revela que apesar da importância que este segmento turístico de negócios tem no turismo angolano, é um segmento cujo potencial não está a ser totalmente aproveitado devido à falta de segurança ainda sentida em Angola.

Na análise feita, concluiu-se que não obstante o facto da possibilidade de se desenvolver uma matriz turística, apoiada em vários tipos de produtos turísticos complementares, falta uma visão e estratégia ligada ao “turismo de natureza”, “turismo de Sun,S e a & S and ” e de “turismo cultural”.

Entretanto, sustenta o estudo, existem fragilidades na oferta hoteleira que é reduzida se se considerar a sua distribuição pelas diferentes províncias e, mesmo assim, “regista taxas de ocupação muito reduzidas”.

Por exemplo, adianta-se na observação feita que se constatou na Ilha do Mussulo com diversos problemas que podem bloquear o aproveitamento do seu potencial enquanto produto turístico, ou seja, ausência de infra-estruturas adequadas de apoio ao turista para apanhar o barco, insegurança no parqueamento automóvel, construção de casas muito próxima da linha de água e tratamento de resíduos e ao lixo que vem para as praias e mar quando chove.

Em Luanda, queixa-se, os museus possuem pouca diversidade de oferta cultural e a necessitar de actualização e também com condições impróprias para o visitante (demasiado calor no museu de História Natural e de Antropologia em Luanda), bem como museus com ausência de informações em línguas estrangeiras (Luanda e Moçamedes).

Refere o estudo do Prodesi que apesar de haver algum alojamento de qualidade e as taxas de ocupação, no geral, serem baixas, tem sido suficiente para dar resposta à procura. Escreveu-se também que “faltam parques de campismo (com bungalows)”. O de Moçamedes encontra-se degradado e quase abandonado, não sendo possível utilizar o mesmo em segurança.

Apontam-se também entre as fragilidades, a ausência de rotas turísticas estruturadas e cultura de Angola pouco aproveitada turisticamente. Cita-se Cabo Ledo que tem cerca de 11 mil e 700 habitantes registados, mas verifica-se um enorme crescimento, sem um plano de gestão deste perímetro, independentemente das suas valências e potencialidades turísticas.

“Não existem dotações financeiras do Estado que permitam tornar este espaço numa verdadeira referência nacional e internacional a médio e longo prazos em matéria de turismo.