Angola quer extensão de prazos para pagar dívidas

Angola vai reduzir as despesas e optimizar a gestão fiscal caso a iniciativa de prolongar o pagamento da sua dívida não for acolhida pelos credores internacionais, declarou hoje a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa.

Luanda /
14 Out 2020 / 10:34 H.

O Clube de Paris suspendeu a dívida de Angola no intervalo de Setembro a Dezembro deste ano. Neste período, o País fica sem pagar capital e juros. Findo o prazo, o País terá um tempo de cerca três anos para ir pagando pelo período de suspensão.

Segundo Vera Daves, que fez essas declarações depois de participar num workshop sobre “Recuperação e resiliência pós-COVID-19”, promovido por vídeo-conferência pelo FMI, o País está a negociar com os credores internacionais para adiar o tempo de pagamento.

A responsável disse à imprensa, no final da reunião terminada às 19 horas, que há abertura para o diálogo com os credores, que tem sido feito com o Banco Mundial e o Clube de Paris - este, por sua vez, lidera o processo interagindo com os seus membros.

Sem prejuízo das negociações com aquelas instituições, a ministra avançou que se houver espaço para acordos bilaterais será feito.

A ministra explicou também que há coordenação na negociação da dívida entre os principais devedores africanos do Clube de Paris, mas realçou que além de mais tempo para pagar a dívida precisam de mais fluxos financeiros nas suas economias.

“Há consenso que o adiamento ou prolongamento entre os devedores africanos é bem-vindo”, afirmou a titular da pasta das Finanças acrescentando que durante o encontro não se falou do perdão da dívida.

O Clube de Paris é uma instituição informal constituída por 22 cuja missão é ajudar financeiramente países com dificuldades económicas. O seu primeiro encontro aconteceu em 1956, quando a Argentina concordou em reunir-se com credores na cidade de Paris.

A vídeo-conferência foi promovida pela directora geral do FMI, Kristina Georgieva, no âmbito das reuniões anuais desta organização internacional, contou com a participação do presidente e director executivo da Black Rock, maior empresa americana de gestão de activos no mundo, Lawrence Fink, do enviado especial da ONU para Acção climática e Finanças, Mark Carney e com a moderação de Francine Lacqua , da empresa Bloomberg.