Angola prioriza investimento directo (não apenas com a China)

A Ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, anunciou nesta segunda-feira, durante um evento em formato digital da agência de informação financeira Reuters, que Angola está a privilegiar o investimento directo.

Luanda /
12 Jan 2021 / 13:21 H.

Vera Daves de Sousa referiu-se à abertura do Executivo angolano para uma relação de maior proximidade com todos os investidores e credores internacionais, tendo como sustentação as reformas macroeconómicas que se encontram em curso, destacando-se aquelas que dizem respeito a sustentabilidade da dívida pública.

“Angola faz parte de um programa com o IMF que exige transparência, portanto todos os progressos feitos sobre as negociações da dívida são devidamente comunicadas ao FMI. Esperamos ver o resultado destas negociações e da flexibilidade dos credores, ao fim dos 3 anos negociados, tempo que permitirá prepararmo-nos para começar a pagar a dívida”, afirmou a Ministra.

Questionada sobre a possibilidade do País contrair um novo empréstimo com a China, Vera Daves de Sousa adiantou as novas facilidades que o Executivo angolano privilegia na relação com os credores.

“Estamos a construir um futuro (através do nosso programa de reformas) que prioriza o investimento directo (não apenas com a China, mas com outros parceiros). Queremos adicionar valor para a nossa Economia criar empregos. Queremos que o dinheiro fique. Pedir emprestado é uma opção, mas estamos a tentar mudar a forma que nos relacionamos com os nossos parceiros”.

Essa aposta no investimento directo coloca ao sector privado um papel mais significativo tornando o ambiente de negócios mais apelativo, com enfâse também nas medidas de combate à corrupção.

“Nós queremos que a economia Angolana cresça devido ao investimento privado. Não é fácil porque viemos de um modelo em que o sector petrolífero é o que mais tem influência na economia. Mas se mantivermos este modelo, iremos, sempre, ter que lidar com as mesmas consequências”. E remata “queremos o sector privado a contribuir para o crescimento da economia, a criar empregos para os nossos jovens”.

No tocante aos Eurobonds, Vera Daves de Sousa descartou qualquer abordagem sobre a revisão deste perfil de dívida.

“Não temos essa intenção. Estamos a fazer o nosso melhor para que os nossos credores confiem na nossa capacidade para pagar e, ainda, preparar-nos se um possível choque mais severo atingir-nos”.

Entretanto, sem adiantar datas, a Ministra das Finanças assume o trabalho em curso no sentido de reduzir o risco e o custo do financiamento no mercado internacional.

“Temos essa estratégia a médio longo prazo. Algo que temos muito bem definido é que queremos dinheiro a longo prazo e o mais barato possível. Por agora, o “mais barato possível” não é fácil, então continuaremos a trabalhar, para garantir que teremos um ambiente em que o risco de emprestar dinheiro à Angola seja mais baixo. E no futuro, quando o cenário mudar, veremos como e quando podemos regressar”.