Angola na posição 149 no desenvolvimento sustentável e abaixo da média africana

Um novo relatório realizado para a Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os objectivos do desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 colocou Angola na posição 149 numa lista de 162 países avaliados.

Luanda /
12 Set 2019 / 10:43 H.

Devido aos 51,3 pontos num máximo de 100, Angola tem um resultado mais baixo do que a média da região onde está inserida, a África Subsariana, com 53,8 pontos.

Trata-se de um relatório realizado por cientistas independentes para a ONU, que avalia o desempenho de 162 países nos 17 objectivos de desenvolvimento sustentável (ODS) assumidos há quatro anos na Agenda 2030.

Angola, que ainda não cumpre nenhum dos 17 objectivos de desenvolvimento sustentável (ODS), tem uma situação de “grandes desafios” em 13 desses objectivos.

O desempenho dos países foi avaliado de acordo com vários indicadores dentro de cada objectivo de desenvolvimento sustentável.

O primeiro ODS, de erradicação da pobreza é um dos que apresenta “grandes desafios” para Angola, já que 20,4% da população vive com menos de 1,90 dólares por dia e 42% vive com menos de 3,20 dólares por dia.

A erradicação da fome, o ODS n.º 2, ainda não está à vista em Angola, calculam os especialistas, devido aos dados de subnutrição, que afecta 23,9% da população, o atraso de crescimento das crianças, o rendimento da produção de cereais e outros.

Em 14 indicadores de saúde, a quase totalidade dos números angolanos apresenta valores piores do que os recomendados. Estes incluem a mortalidade infantil, mortalidade materna, tuberculose (359 casos em 100.000 pessoas), número de gravidezes de adolescentes entre 15 e 19 anos (145,5 partos em cada 1.000 jovens) e outros.

A qualidade da educação, o ODS n.º 4 também é posta em causa enquanto a taxa de literacia e número de crianças que frequentam o ensino primário e básico são menores do que o objectivo estabelecido.

Os ODS n.º 6 (água potável e saneamento), 7 (energias renováveis e acessíveis), 8 (trabalho digno e crescimento económico), 9 (indústria, inovação e infra-estruturas), 10 (redução das desigualdades), 11 (cidades e comunidades sustentáveis), 13 (acção climática), 14 (protecção da vida marinha) e 16 (paz, justiça e instituições eficazes) também enfrentam grandes desafios.

Dizer que Angola é o país de língua oficial portuguesa com pior desempenho no desenvolvimento sustentável, salvo três países que não foram pontuados (Timor-Leste, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial). Portugal assume a 26.ª posição de 162 países, com 76,4 pontos.