Angola defende suspensão da dívida externa

A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, juntou-se a outros governantes africanos que defenderam, na sexta-feira última, o prolongamento da iniciativa de suspensão da dívida para 2021, posição expressa num encontro de alto nível com representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (BM).

Luanda /
13 Out 2020 / 10:26 H.

O seminário, que juntou a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e o presidente do Grupo Banco Mundial, David Malpass, a vários ministros africanos, visou identificar opções para ampliar o financiamento à região africana nos próximos cinco anos, partilhar experiências com as políticas implementadas pelos vários países em resposta à pandemia e as suas consequências económicas e sociais, anunciou, ontem, o Ministério das Finanças (MINFIN).

No seminário sobre "Mobilização com África", os intervenientes "convergiram quanto à necessidade de mobilização de recursos internacionais extraordinários para acudir a situação pós-pandemia" e pediram um prolongamento até 2021 da Iniciativa do G-20 para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), destaca o MINFIN numa nota publicada no seu portal.

Vera Daves referiu-se às medidas, sobretudo em termos de sustentabilidade da dívida, para fazer face ao choque da pandemia sobre a economia e sistemas de saúde.

"Gostaríamos de ver a extensão das iniciativas de alívio existentes, pelas quais agradecemos a todos os parceiros multilaterais e bilaterais, e enfatizamos o nosso compromisso de tornar as nossas economias e sistemas de saúde mais resistentes a choques, manter a sustentabilidade da dívida, melhorar o ambiente de negócios e criar as condições para o investimento estrangeiro directo e a diversificação económica que promova o crescimento", afirmou a governante, citada pelo MINFIN.

O seminário sobre "Mobilização com África", realizado de forma virtual, serviu de antecâmara das reuniões anuais das instituições financeiras internacionais que decorrem desde ontem e vão até 17 de Outubro.

No encontro, Kristalina Georgieva, citada na nota do MINFIN, salientou a necessidade de os Estados africanos intensificarem as reformas económicas que visam a melhoria da qualidade da despesa em domínios fundamentais como a educação, saúde, digitalização e infra-estruturas, indicando que sem reformas, "a ajuda externa não será eficaz nem suficiente".

David Malpass informou, por seu turno, que o Conselho de Administração do Banco Mundial está em vias de aprovar, nos próximos dias, um programa de 12 mil milhões USD destinados à aquisição de vacinas para a prevenção da COVID-19.

O presidente do Grupo Banco Mundial anunciou, também, o lançamento, na próxima semana, da primeira edição do relatório sobre o Estado Internacional da Dívida, "documento que reflecte a gravidade da situação, particularmente entre os países africanos".