Agricultura e comércio impulsionam PIB não petrolífero em 1,6%

Em 2019 as importações caíram 14% face ao ano anterior. Na data, o País gastou 22,2 mil milhões USD, menos 3,6 mil milhões USD em relação a 2018 (25,8 mil milhões USD).

Luanda /
28 Jul 2020 / 12:17 H.

A produção não petrolífera cresceu 1,6% em 2019 impulsionada pelo crescimento da agricultura em 2% e do comércio em 1,2%, segundo o ministro da Economia e Planeamento Sérgio Santos, que falava no âmbito da comemoração dos dois anos do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações, PRODESI.

Na ocasião, Sérgio Santos destacou a produção nacional, as importações e exportações, e o investimento Privado como as três “grandezas” com impacto na actividade do PRODESI. Desde a implementação do programa, os sectores de serviços e produção de bens verificaram um aumento significativo.

No período em análise, a produção não petrolífera além de recuperar da contracção de 0,1% em 2017-2018, o sector cresceu 1,6% em 2019, justificado pelo crescimento da agricultura e comércio como já referido. No cômputo geral, em 2019 o comércio se destaca na produção económica com 13% depois da actividade petrolífera (líder com 33%). Destacam-se ainda o sector da construção (11%), agricultura e indústria com 5% e 4%, respectivamente.

Balança corrente superavitária

Em termos da balança corrente (importações e exportações), o País verificou um superavit de 6,9% em 2018 e 6,1% em 2019. Com exportações de 40,7 mil milhões USD em 2018, onde 99% (39 mil milhões USD) são do sector petrolífero e apenas 1,7 mil milhões USD do sector não petrolífero, com maior influência dos diamantes.

Em 2019 as importações caíram 14% face ao ano anterior. Na data, o País gastou 22,2 mil milhões USD, menos 3,6 mil milhões USD em relação a 2018 (25,8 mil milhões USD).

Sérgio Santos referiu ainda que o investimento directo estrangeiro verificou uma quebra de 40% (2,4 mil milhões USD) em 2019, se fixando em 3,6 mil milhões USD, contra os seis mil milhões USD em 2018. Por sua vez, o investimento indirecto aumentou 14% em 2019, com registos de 2,4 bilhões em 2018 e 2,8 biliões em 2019.

O ministro justificou que a contracção do investimento estrangeiro se deve ao facto do mesmo estar direccionado tradicionalmente para sector petrolífero, que se encontra em crise.

Comércio e agricultura representam 80% das candidaturas

Dentro das medidas de alívio económico, foram apresentadas mais de mil e novecentas candidaturas, num montante de 11,13 mil milhões Kz, repartidas em cinco sectores, dos quais o comércio e a agricultura representam mais de 80% das candidaturas.

Disponibilizou-se um montante de 26,4 mil milhões kz, com o prazo de reembolso de dois anos a uma taxa de juro de 9%, como financiamento de compras de bens de consumo de origem nacional. Foram recebidas 1016 candidaturas, sendo que 243 submetidas ao BDA e encontram-se em fase de tramitação interna ou em comité de crédito.

Como financiamento às Cooperativas do Sector Produtivo foi disponibilizado 13,5 mil milhões Kz, com limite de 50 milhões Kz por cada cooperativa, máximo 15 por província, com reembolso a dois anos e uma taxa de juro de 7,5%. Foram seleccionadas 288 cooperativas que estão a ser alvo de um trabalho de diagnóstico das suas necessidades e avaliação de potencial.

Para o financiamento de compras de insumos agrícolas e das pescas foi disponiblizado 13,5 mil milhões Kz, com reembolso a dois anos, a uma taxa de juro de 9%. Foram recebidas 506 candidaturas, sendo que 41 submetidas ao BDA, sete encontram-se aprovadas e as restantes encontram se em fase de tramitação interna ou em comité de crédito.

Estima-se que as sete empresas aprovadas irão beneficiar de um financiamento de 40 milhões USD para aquisição de 75 mil toneladas de fertilizantes, estando o procedimento já em curso no Banco, com a perspectiva de serem recebidos os fertilizantes nos meses de Agosto e Setembro.