A transição energética

A transição do actual ciclo de dependência do petróleo e gás a favor das energias renováveis constitui um desafio dos Estados produtores, repto que Angola deverá, em determinada altura, abraçar por força da realidade do mercado.

Luanda /
20 Nov 2020 / 12:58 H.

O mundo, de uma maneira geral, começa a preparar-se para a transição das energias de origem fóssil para as limpas, realidade que tende a encarecer os custos de produção petrolífera e a reduzir receitas.


Urge, inclusive no quadro da diversificação da economia, acompanhar todas as tendências, neste sentido, para "amortecer” o eventual e futuro choque que poderá envolver uma redução brusca e demasiado acentuada das receitas provenientes do petróleo.

Temos uma economia mono produtora, em que o petróleo representa entre 70 a 90% das receitas do Estado, facto que deve dar lugar a passos na direcção inversa, independentemente do papel que o crude continua ainda a jogar na economia. Precisamos, como tinha alertado em tempos o Presidente João Lourenço, numa das suas intervenções, de "esquecer um pouco o petróleo”, uma alusão que envolve um grande desafio para Angola.

Comparativamente a outras realidades, os custos de produção do crude no nosso país são elevados e se juntarmos a esta realidade a tendência de retracção no investimento das multinacionais, a aposta noutros mercados e nas energias renováveis, não há dúvidas de que precisamos de repensar o papel do petróleo na economia nacional.

Há todo um conjunto de factores actuais e posteriores que obrigam a encarar o futuro com apostas mais seguras em áreas não petrolíferas, inclusive para assegurar algum equilíbrio no que as receitas diz respeito. Na verdade, temos todas as condições para atingir esse desiderato, sobretudo se começarmos a gizar já estratégias neste sentido, com uma forte aposta nas outras áreas de economia em que são conhecidas as nossas vantagens comparativas.

Os passos que Angola dá com a produção agrícola, com a exploração de recursos minerais e florestais, apenas para mencionar estas áreas, que requerem, com urgência, a necessária implementação de projectos complementares para a competente transformação dos produtos, são encorajadores. É expectável que as conferências sobre petróleo e gás, realizadas dentro e fora de Angola, contribuam também para a busca das melhores soluções relativamente às estratégias que o Estado angolano deve prosseguir para bem da economia.

Não podemos negar que o petróleo continua a ser um elemento estratégico em termos económicos para Angola, mas essa realidade não nos deve levar a perder de vista a realidade que ocorre em todo o mundo.

A transição das energias de origem fóssil para as limpas afigura-se como um processo irreversível na medida em que algumas das multinacionais tendem a fazer grandes apostas nas energias renováveis. A tendência para o mundo optar pelas renováveis, um pressuposto para reduzir emissões dos gases com efeito de estufa, faz repensar hoje o futuro do petróleo na economia.