PS vence sem maioria, recorde na abstenção e no número de partidos eleitos

Abstenção foi a grande vencedora, com recorde de 45,5%. PS vence sem maioria mas sai reforçado. Hecatombe do CDS custa liderança a Assunção Cristas

07 Out 2019 / 16:47 H.

Partido Socialista, Pessoas Animais e Natureza, Chega, Iniciativa Liberal, Livre... não faltam partidos a reclamar vitória na noite eleitoral mas nenhum chegou aos calcanhares dos 45,5% da abstenção. Um novo recorde em legislativas, que reforça uma tendência bem preocupante. Cabe aos nove partidos que conseguiram representação na Assembleia da República (outro recorde) encontrar uma solução para inverter a tendência.

Quanto ao escrutínio propriamente dito, venceu o PS sem maioria absoluta, uma vitória que vai ao encontro do que vinham a indicar as sondagens. O partido de António Costa terminou com 36,65% dos votos, suficientes para eleger 106 deputados, mais 21 que há quatro anos.

Os socialistas estão assim obrigados a uma nova coligação para poderem governar sem sobressaltos e para já, os olhares estão virados para os suspeitos do costume.

O Bloco de Esquerda, que reforçou o estatuto de terceira força política nacional mas não conseguiu aumentar os 19 deputados eleitos em 2015, já se mostrou disponível para viabilizar um governo socialista mas continua sem intenções de integrar o executivo.

Já a CDU, que não foi além dos 12 deputados eleitos (o pior resultado desde 2002), garantiu que só irá tomar uma posição depois de conhecer as opções do novo executivo socialista.

No entanto a grande derrotada foi a direita. O PSD ficou-se pelos 27,9% dos votos mas Rui Rio permanece firme na liderança.

O CDS-PP não foi além dos 5 deputados. Não se pode falar do regresso do partido do táxi, mas é preciso recuar a 1991 para encontrar um resultado semelhante. O mau resultado custou a liderança do partido a Assunção Cristas, que anunciou a marcação de um congresso para eleger um novo líder e garantiu que não se iria recandidatar.