“O que conta não é a idade, mas o sangue que corre na veia”

Está fechada a possibilidade de o ainda presidente da UNITA, Isaías Samakuva, ser presidente da UNITA, primeiro, porque o prazo de entrega de candidaturas terminou a 07 deste mês, segundo, porque cumpre assim a promessa feita em 2017, quando afirmou que, com ou sem vitória nas eleições-gerais, deixaria a liderança. Mas tem possibilidade de ser cabeça-de-lista da UNITA para Presidente da República em 2022, caso seja decidido pelos congressistas através de arranjos aos estatutos.

08 Out 2019 / 22:23 H.

Respondo ao Vanguarda sobre os desafios de uma campanha eleitoral face a sua idade que vai avançando, disse: “Nos meus 73 anos, tenho mais energias do que você, desafio-o e veremos onde eu vou parar e onde você vai parar, porque o que conta não é a idade, mas o sangue que corre na veia”.

Isaías Samakuva esclareceu que, à semelhança dos dois últimos congressos, uma das teses em discussão relativamente ao conclave que decorre entre os dias 13 e 15 de Novembro de 2019, tem a ver com a possibilidade de haver um cabeça-de-lista sem ser necessariamente presidente do partido.

“Há uma tese, que não foi elaborada por mim e que está a sugerir outra vez que a partir deste congresso a questão do cabeça-de-lista seja mudada, abrindo a possibilidade de o cabeça-de-lista não ser o presidente”, contou Isaías Samakuva.

Confrontado com a possibilidade de ser cabeça-de-lista em 2022, lembrou o adágio segundo o qual “nunca diga que desta água nunca beberei. Pode haver a possibilidade de ser cabeça-de-lista, mas esta já é outra situação. E mesmo que isso aconteça, não estarei a ir para presidente do partido, porque aí, nunca mais”.

Samakuva, que negou qualquer apoio a Alcides Sakala, um dos candidatos ao congresso, reagindo às especulações, regressa à Assembleia Nacional, considerando-a como a “plataforma mais adequaca para se fazer política”.

Durante a sua comunicação cujo objectivo foi clarificar aquilo a que chamou de “equívoco” a cerca da possível recandidatura a mais um mandato à liderança da UNITA, Isaías Samakuva disse que a sua promessa, de deixar a presidência do partido, era para ser levada a sério.

“Percebi que os adversários da minha integridade moral decidiram transformar-me na figura central do congresso, numa tentativa de condicionar a sua agenda, e os media, consciente ou inconscientemente, caíram nesta armadilha, na assunção de que os africanos não respeitam as suas palavras”, defendeu-se.

“Ai de quem romper com a linha política do partido”

Apesar de ser líder cessante, Samakuva mostrou-se implacável em relação a qualquer desvio da linha política do partido a ser implementada pelo novo presidente, afirmando que quem dirige o partido, dirige-o em obediência àquilo que for decidido em congresso.

Para este político, se o novo presidente fizer as coisas como bem entender, sem obedecer à linha política do partido, levará um “não” dos militantes, ainda que seja a meio do mandato. “Ai dele, se agora der a conhecer aos militantes que vai romper com a linha política que o partido decidir, porque nem vai passar”, avisa Samakuva.

Concorrem à liderança da UNITA o vice-presidente do partido, Raul Danda, o presidente e o vice-presidente do Grupo Parlamentar, Adalberto Costa Júnior e José Pedro Katchiungo, o porta-voz, Alcides Sakala, e o antigo secretário-geral do partido, Abílio Kamalata Numa. Paulo Lukamba Gato, antigo secretário-geral, e o secretário provincial da UNITA no Huambo, Liberty Chiyaka, desistiram da corrida.