“João Lourenço tem de aproximar-se às pessoas sem conotação ao MPLA”

O Presidente da República, João Lourenço, tem de aproximar-se às pessoas sem conotação ao partido no poder, para combater a corrupção com êxito, defende o escritor, cronista e livreiro Jacques dos Santos, para quem o País tem muitos quadros fora do MPLA que podem ocupar cargos no Executivo.

Luanda /
12 Ago 2019 / 18:30 H.

Outra solução para “fugir dos já viciados em corrupção”, é recorrer aos angolanos radicados no estrangeiro, a quem João Lourenço deve “aliciar com boas condições”.

Jaques dos Santos justifica a sua afirmação, entre outras, com a inexperiência de muitos dirigentes que têm sido nomeados a vários níveis do Executivo e salienta que “o Governo não é laboratório de experiências”. Entretanto, para ele, pior do que ministros ou secretários de Estado, está a equipa à sua volta, nomeadamente directores e chefes de gabinetes. “Muito fracos, só sabem usar gravata”, disse, embora admitindo ter ouvido em falar de alguns com competência.

“Tem que haver pessoas honestas no MPLA”

Falando propriamente, Jacques dos Santos advoga que o MPLA tem de ter pessoas honestas para combater a corrupção. Questionado sobre como identificar pessoas honestas no partido no poder, admite que “é difícil, porque as pessoas não têm rótulo”, sugerindo que seja através de regulamentos internos e de avaliação do comportamento.

Em relação aos que têm sido contemplados para exercerem cargos a nível do Executivo, vê muitos inexperientes, tendo citado casos de pessoas exoneradas depois de nomeadas há no ano. “O que mostra que não se foi assertivo nas escolhas”, presume Jacques dos Santos, que acrescenta: “Notamos nalgumas pessoas desajustamento, falta de conhecimento e de capacidade de ouvir outras pessoas”.

Profissional de seguros, reformado, e antigo presidente do Conselho Directivo da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, do qual é membro fundador, é com ele que o Vanguarda aborda esta semana vários aspectos da vida nacional, em Grande Entrevista. Exerceu ainda a função de director do mensário cultural “O Chá". Membro da União dos Escritores Angolanos, da ADRA e da Associação Tchiweka de Documentação. Foi distinguido pela Embaixada do Brasil em Angola com a Comenda do Rio Branco. Publicou Casseca-Cenas da Vida em Luanda (1993), Chove na Grande Kitanda (1996), ABC do Bê Ó (1999), Berta Ynari ou o Pretérito Imperfeito da Vida (Grande Prémio Sonangol de Literatura de 2000), e Kasakas & Cardeais (2002), Nghéri-Hi (Maka da Grande Família) (2017), 101 Crónicas deste e Doutro Tempo (2017) e Subitamente no Cacimbo (2018).