Estará Donald Trump interessado nas eleições para o Parlamento Europeu?

A visita do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, aos Estados Unidos é vista como uma possível ponte entre a Casa Branca e a extrema-direita europeia.

14 Mai 2019 / 10:25 H.

Depois de ter sido mais ou menos desprezado publicamente pela administração Obama, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, visitou o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca – um acontecimento que alguns observadores explicam como uma tentativa de ‘intromissão’ nos assuntos da União Europeia.

Segundo esta teoria, Trump está interessando em mostrar apoio aos presidentes e chefes de governo europeus ‘amigos’ dos Estados Unidos – numa eventual tentativa de enfraquecer politicamente os que lhe são hostis, num cenário de aproximação das eleições europeias.

Orbán, que lidera a Hungria desde 1998, foi, em 2016, um dos poucos chefes de governo europeus a mostrar publicamente total apoio à candidatura presidencial de Trump, numa altura em que praticamente nenhum outro dirigente europeus colocava sequer a hipótese de ter que lidar com Trump enquanto ocupante do mais alto cargo da federação norte-americana.

O rol de ‘não amigos’ e ‘ex-amigos’ de Trump na Europa não parou de aumentar desde que o magnata do imobiliário foi eleito – a chanceler Angela Merkel, o presidente Emmanuel Macron ou a primeira-ministra Theresa May fazem parte dessa extensa lista.

A posição de Orbán nos Estados Unidos foi sempre bastante controversa – a pontos de o antigo presidente George W. Bush se ter recusado a algum dia o convidar para a Casa Branca depois de estranhas declarações do húngaro sobre os acontecimentos de 11 de setembro de 2001

Orbán venceu com facilidade as últimas três eleições e, ao longo dos mandatos, declarou a vontade de expurgar a sociedade húngara de socialistas, liberais e globalistas. Declaradamente anti-imigração, o que o aproxima de Trump, Orbán tem sido um dos chefes de governo mais criticados pela União Europeia – dada a sua vontade de se intrometer na independência judicial húngara e de precipitar o país na pobreza cultural com uma série de leis retrógradas e há muito banidas de outras geografias.

Entretanto, Orbán tem-se destacado como um dos elementos mais próximos do antigo conselheiro de Trump, Steve Bannon, que tem visitado a Europa inúmeras vezes na tentativa de agregar as vontades nacionais da extrema-direita nos vários países da União num projeto comum que passe pelo Parlamento Europeu.

O primeiro-ministro húngaro é repetidamente um dos políticos europeus mais elogiados por Bannon – a par do italiano Mateo Salvini – e os observadores não deixam de colocar uma ponte entre estes elogios e o facto de Trump lhe ter franqueado as portas da Casa Branca.