Congresso ordinário da UNITA volta a fazer vítimas

Tal como nas vésperas do congresso de 2011, marcadas pela suspensão de 12 membros, entre os quis Chivukuvuku e Lukamba Gato, ficando sem possibilidade de concorrerem, o congresso de 2019 já faz vítimas.

Luanda /
26 Out 2019 / 16:31 H.

Está suspenso das funções de director nacional para a mobilização urbana da Juventude Unida e Revolucionária de Angola (JURA), braço juvenil da UNITA, António Marques, por supostamente ser apoiante de Adalberto Costa Júnior, um dos candidatos ao congresso, e a mobilizar militantes para que vença as eleições.

Com este afastamento, António Marques vê-se, igualmente, impossibilitado de concorrer a delegado ao XIII congresso deste partido, marcado para 13 e 15 de Novembro de 2019, e exercer o direito de voto. Contactado pelo Vanguarda, António Marques confirma a suspensão e que é apoiante de Adalberto Costa Júnior, mas avança ser “uma questão interna”.

A direcção da JURA é acusada de tomar tal medida para “evitar” o voto de todos que não apoiam a candidatura de Alcides Sakala, candidato que caiu nas graças desta direcção. Mas, segundo o que apurou o Vanguarda, há uma lista de membros da JURA, declaradamente “anti-Sakala”, que serão suspensos nos próximos dias.

Contactado, o secretário-geral da JURA, Agostinho Kamuango, confirma igualmente a suspensão de António Marques, mas garante que foi por “conveniência de serviço” e não por apoiar um dos candidatos ao congresso. “Ser exonerado não é notícia, e ser exonerado por ser apoiante do candidato citado, é absurdo”, começa por justificar Agostinho Kamuango, que acrescentando que “não foi por apoiar este ou aquele candidato, nem faz sentido”.

Chamado a reagir às informações que apontam para a existência de uma lista de possíveis suspensos por não estarem alinhados com o objectivo da direccção da JURA, Kamuango afirma ser normal em qualquer organização haver exonerações. “É um procedimento administrativo normal, até porque a JURA não está em congresso”, defende-se, acusando os fomentares destas denúncias como estando “à procura de protagonismo”.

De suspensão em suspensão, radialista Cláudio Emanuel Pinto de Andrade, mais conhecido por Cláudio In, está suspenso pela direcção da Rádio Despertar, afecta à UNITA, desde 25 de Setembro deste ano. Em causa está o facto de ter reagido com “ataques verbais” à proibição de promover um programa onde cada ouvinte pudesse manifestar a sua simpatia a um dos candidatos. O Vanguarda sabe que a direcção da emissora estava a cumprir ordens vindas da direcção do partido UNITA. O director-geral da emissora, Malaquias, diz ao Vanguarda estar a decorrer o processo disciplinar, pelo que entende ser prematuro fazer quaisquer pronunciamentos.

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