Os desafios de João Lourenço

Há uma sensação de que esse combate fragiliza o seu partido (MPLA) por ser o mais visado. Quem assistiu o discurso pela televisão percebeu-se que algumas personalidades históricas do MPLA não aplaudiam “à vontade” (pensamos o contrário).

Angola /
21 Out 2019 / 10:58 H.
Patrício Batsikama

No seu discurso de “estado da Nação”, o Presidente da República João Lourenço fez um discurso-relatório sobre os dois anos da sua governação. É um dever constitucional. Na minha contagem, são cerca de 153.849 empregos que foram criados entre 2017-2019. O Alto mandatário do país falou em 161.997. Não me interessa aqui discutir, pois em estatística 153.849 representa 30,76% e 161 mil representam 32,39% da promessa eleitoral. Logo, o erro relativo é 1, 63%.

Podemos discutir a tese da relatividade positiva: é possível que, em 2021, o Executivo venha a alcançar 64% da promessa, nesse sector. Quer dizer, um ano antes do término do Quinquinado de João Lourenço, é possível que a promessa eleitoral seja alcançada positivamente. Caso o ritmo continue e que as dificuldades forem vencidas na sua maioria, poderá relativamente ser possível criar 400 mil empregos. Quer dizer, perto de 80% da promessa eleitoral.

Por outro, foram criadas 97.689 novas salas de aulas, em dois anos. Isto é, mais de 3.400.000 estudantes beneficiariam das condições escolares (abrigo). Isso representa 21,34% da população infanto-juvenil. Pelos projectos existentes no Ministério da Educação, é possível que – na base da relatividade positiva – que em 2021 existam mais 79.000 novas salas de aulas. Caso assim aconteça, o Executivo conseguirá criar condições para albergar mais 39,33% da população infanto-juvenil no Ensino.

João Lourenço lidera a luta contra a corrupção, com o apoio da sociedade civil e a classe política do modo geral. Há uma sensação de que esse combate fragiliza o seu partido (MPLA) por ser o mais visado. Quem assistiu o discurso pela televisão percebeu-se que algumas personalidades históricas do MPLA não aplaudiam “à vontade” (pensamos o contrário). Em momentos barrulhentos promovidos pela Oposição, os deputados do MPLA improvisavam os aplausos. Apesar desta falta de virtude política – uma politiquice de destabilizar emocionalmente o orador, ora com com exibição de cartão amarelo – João Lourenço preferiu seriedade do seu relatório, tendo também improvisado uma “teatralização política” oportuna (Balandier, 2012) para repor a harmonia na sala.

Caso comparamos as informações apresentadas no discurso-relatório em relação ao “estado da Nação” com o Programa que o MPLA apresentou ao povo-eleitor em 2017 em todos os sectores (Cultura, Ensino Superior, Turismo, Obras públicas, Transporte, Defesa, Interior, Educação, etc.), as realizações têm a nota média de 63,4%. Espera-se que a nota não baixE, esforçar-se manter essa nota positiva, ou ainda melhorá-la. A crise financeira mundial tem travado o aumenta de índices de melhoramento. Logo, diversificação da economia através do investimento privado internacional precisa de leis claras e tranquilidade no país.

Os desafios do Presidente João Lourenço parecem ser: emprego aos jovens, a felicidade social do povo, recuperar o poder de comprar, integração económica, etc. Com um elevado espírito de patriotismo, o discurso realista de João Lourenço aumentou a esperança de que podemos sonhar. Na verdade, trata-se de desafios de todos os cidadãos angolanos cuja colaboração torna-se um dever cívico.

*Historiador